domingo, 11 de dezembro de 2016

        

                         Alma Welt



                           CARTAS À ANDREA

                 (Romance erótico-epistolar por e.mails)




                                  PRÓLOGO



A correspondência virtual entre Alma e Andrea durou uma centena de e.mails de lado a lado em apenas um mês de intensíssima paixão, que culminou (ou terminou) com a morte da Alma.
Eu, Lucia Welt, irmã da grande poetisa publico agora as “cartas” ( e.mails) da Alma somente, já que não obtive permissão para publicar as de sua correspondente, Andrea ( da qual é mantido o anonimato) e, que no entanto não se opôs a que eu publicasse as cartas da Alma. A sequência completa das cartas da Alma produz uma saga, um verdadeiro romance de sua vida, com ênfase no seu último intenso e angustiado mês, incluindo um período de internação, fuga da Cclínica por estradas do pampa de carona de caminhão, mais perigos e percalços até a sua chegada de volta à estância, retomada da correspondência, retorno do gradativo processo de angústia ao longo de inspirados monólogos existenciais dramáticos de tirar o fôlego dos leitores, até o trágico desenlace. Nas circunstâncias romanescas de sua morte tudo apontava para suicídio até a alguns meses atrás, quando começaram a surgir provas de assassinato. Pretendo colocar aqui todas as cartas da Alma, integrais, sem cortes, sem censuras, claro, pois ela não as tinha e não as admitia, maravilhoso ser de liberdade e coragem que ela era...

(Lucia Welt)
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                  Cartas à Andrea

Carta 1 - Alma


Querida Andrea

Que alegria estar entabulando uma correspondência, no velho e bom sentido da palavra, com alguém sensível e inteligente como tu! E doce também. Sabe, as mulheres, dum modo geral já não conseguem reunir estas três qualidades, ao mesmo tempo.Que texto incrível, e oportuno, que encontraste para me enviar! Percebo que quiseste justificar, ou embasar o erotismo qu encontraste nos meus textos, e que associaste à expressão "auto complacência", que me atribuí com um possível laivo de auto recriminação. Mas olha, querida, na verdade liberto-me e divirto-me com meu próprio erotismo literário, que se justifica na medida em que se apresenta como pano de fundo, ou acidentes de percurso de uma visão de mundo que, creio, vai além, com preocupações mais profundas, como o amor, a solidão, a nostalgia do sagrado, o amor pela terra, e pelo ser humano em geral. Orgulho-me de perceber-me uma humanista no sentido clássico da palavra, numa época tão mercantilista. Mas, como tudo isso também posso perceber no que me enviaste sutilmente de dados sobre a tua pessoa, estou extremamente grata em conhecer-te. Creio que nos daremos muito bem! Ambas estamos, pelo visto, carentes de uma amizade feminina profunda e... inteligente.Quero poder abrir-me contigo e, com o tempo, chegar a dizer... tudo! O que quero dizer com isso? Eu mesma ainda não sei bem... Eu amo nossa alma, de nós mulheres(que, a rigor é a mesma dos homens, sempre feminina, Psiqué, ou Anima, glória do mundo, o Jardim de Deus plantado dentro de nós) Mas creio que amo também o sexo, por isso nunca o vi como um mal ou um pecado, desde a infância, e nunca escondi, nos meus textos a natureza erótica das relações com meu irmãozinho e com minhas priminhas ou amiguinhas. Continuo achando tudo isso lindo e muito puro. E como sempre reitero, sexo é espírito, e a negação de sua importância ou desqualificação na ordem de importâncias, sempre me pareceu hipocrisia. Haverá uma natureza masturbatória nos meus textos, até na minha poesia? É possível... mas isso acontece em toda obra do homem sobre a Terra, e Freud estava certo quanto à pulsão fundamental de tudo o que concerne ao homem: o sexo! Continuo acreditando nisso, apesar de novas correntes psicanalíticas estarem empenhadas em minimizar a sua importância. Mas, querida Andréa, não quero enveredar nossa amizade nascente pelos meandros do intelectualismo. Não é bem o timbre que imagino para a nossa relação. Quero isto: beijar-te na boca através da palavra! Quem sabe conhecer o teu corpo também, nas possibilidades fascinantes de uma correspondência livre de preconceitos e... plena, já que vai demorar muito para nos conhecermos,e quem sabe tocar-nos pessoalmente, em carne e... Ai! Meu Deus, aqui estou eu, talvez extrapolando, me precipitando. É melhor parar por aqui, pois já percebeste, não tenho o senso de medida, e o nosso amigo Guilherme me chama de "delirante antiga", carinhosamente, é claro.
Deixo-te por ora, amanhã reverei este texto nos "itens enviados" e talvez me envergonhe. Eu sou assim... mas ele já terá sido enviado.
Um beijo
da tua Alma Welt
15/12/06



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Carta 2 - Alma



Querida Andrea
Ao saber que dormiste com meu livro eu fui relê-lo para me sentir um pouco mais contigo, imaginando-te lendo-me. Entendes? Era como se estivesse um pouco mais contigo a viver as minhas aventuras sob teu olhar voyeur. Sou louca? Quero ser louca contigo no meu leito, de noite , e no meu prado de dia, e acredita, já sinto o teu cheiro, que imagino doce, de mulher apaixonada como eu. Quando nos tocaremos mesmo, fisicamente, não sei... mas, como disseste, não te privarei dos meus desejos e vou tocar-te tanto com as palavras ardentes que lançarei do meu teclado, que gozarás, gozarás e gozarás nas mãos de minha alma. Tens, como Ana Cristina*, uma página branca para mim, que preencherei de delícias com o toque dos meus dedos, e dos meus lábios nas partes mais recônditas do teu corpo... que já fizeste teu mudo convite! Andrea querida, já penso em ti a todo momento, o que está acontecendo conosco? Apaixonamo-nos? Como é perigoso o reino das palavras, quando nascem dos dedos de almas ardentes como as nossas, cheia dos desejos legítimos de jovens mulheres profundamente românticas, essa é que é a verdade! Aonde iremos parar, já nos perguntamos. Não sei... não precisamos parar, eu acho. E esta madrugada tive orgasmos, imaginando-te sobre mim, sobre meus lábios e meus seios e... Ai! Andrea, sou louca e posso endoidar de ti, já percebeste. Uma velha dama digna, a grande gravadora Renina Katz, disse uma vez, na minha cara, com a melhor das intenções, que sou "ninfomaníaca". Sou uma ninfa, isto sim, e tenho direito aos meus desejos, que emanam de um corpo privilegiado que ganhei de Deus. Ele me quer assim, eu o sinto, se não, não me faria assim tão branca e voluptuosa, tão rosada em minhas partes tão expostas, e nas aréolas dos meus seios, que a mim mesma me comovem. Tu os tocarás um dia, tenho certeza, como eu tocarei os teus que imagino morenos e lindos...
Silêncio! Schhhhh! Chega alguém, tenho de despedir-me. Ah! é a minha sobrinha Patrícia, ninfetinha adorável, que tenho de acarinhar. Te "vejo" em breve, e te beijarei muito, muito, até... ali.
Tua, agora tua
Alma Welt

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Nota da editora

* Ana Cristina- Andrea tinha citado em sua carta uns versos da grande poetisa carioca Ana Cristina César: "... tens uma página branca para mim..."




Carta 3 - Alma

Eu também, minha querida, me sinto assim... e igualmente molhada. O tempo todo. Que loucura, não? O que foi acontecer conosco? Assim, tão depressa... e tão raro! Acredita, meu amor, que é primeira vez na vida que namoro pela Internet? E estou tão feliz também! Eu te vejo quase que... claramente, talvez falte alguma nitidez nos teus traços, morena, cabelos escuros, estatura que fará teu rosto afundar entre meus seios, que te acolherão palpitantes de emoção. E depois, eu te receberei lá embaixo, entre minhas pernas, pra que colhas o meu leite, sim, como disseste. Quero que sugues meus lábios de baixo, que são tão rosados que te encantarão. Quero que mordisques meu clitóris, que sempre achei que parece um "pintinho" minúsculo que tenho ali, e que gostaria até que fosse grande e potente para te possuir, com força, penetrando os teus dois buraquinhos, que imagino doces e perfumados como os meus. Ah! vou gozar tanto contigo, minha morena... já estou gozando, ao pensar em ti, assim.
Quero me entregar a essa paixão nascente por uma gauchinha morena, como uma "chinoca" de outrora, que imagino cavalgando na mesma sela comigo, na coxilha, na minha frente, apertada em meus braços. Como outrora, com minha Aline, eu apearei primeiro e abarcarei tua cintura para fazeres apear (tu cairás por cima de mim, que nunca fui tão forte)e riremos, as duas, já nos desnudando em plena planície entre as as ondulações. Ali quero mergulhar nos teus cheiros, nos teus sumos, entre tuas pernas que estarão bem abertas e para o alto, patinando no ar, do prazer que te darei!
Ah!Andréa... que nome lindo e inspirador tu tens, soa como o de uma marquesa,espanhola... da Renascença. Já nos conhecemos antes? De outras vidas?
As crianças me rodeiam aqui, Patrícia, Pedrinho, Hans e Christian, e com suas anteninhas já percebem que sua tia está diferente, sonhadora, mais que nunca, e com arrepios súbitos, fora de hora, até na mesa, às refeições. Hoje à tarde molhei tanto minhas calcinhas que sentada sobre meu vestido fino, ficou uma mancha, que meu sobrinho Hans, puro como um anjo,notando,exclamou: "Tia Alma, acho que fizeste xixi! Olha atrás do teu vestido!"
Sim, Andréa, já fazes isso comigo. O que não farás quando pusermos nossas mãos, uma sobre a outra?
Queres meu sexo na tua boca... eu desmaiarei se o fizer, e te sufocarei se estiver sentada em tua boca! Assim vi a cena que me sugeriste... e creio estou ficando louca. Mas olha, não te telefonarei por enquanto, não ainda. Quero continuar sonhando contigo, acordada, enquanto tuas formas se condensam diante mim, na minha mente, um pouco mais a cada dia. Tu te materializarás, talvez, um dia, diante mim, aqui na minha estância, no meio do jardim de minha avó, entre as flores, entre as "minhas pequenas flores do riso", como as designei num conto. E estará nua! Que é como te imagino, o tempo todo. E então te pedirei para urinares sobre as minhas flores, para eu ver, estranha fantasia que sempre tive e que me perdoarás...
Andréa, novamente me chamam. É Rôdo, meu belo irmão que está chegando, afinal, e quero correr para abraçá-lo. Contarei de ti, ele compreenderá. Mas abanará a cabeça, dizendo:
-Alminha, continuas a mesma louca de sempre. Vamos, dá-me outro beijo!

Tua Alma


Carta 4- Retornando sonho

16/12/05

Andrea querida

Sonhei contigo, e me diluí, transformando-me num riacho de prazer, mas não só como metáfora, mas visualmente mesmo, em sensação. Foi incrível! Eu tinha ido dormir um tanto frustrada, pois perdi a noção de tempo, no computador, falando contigo, e quando fui ao quarto das crianças para contar-lhes a estória prometida, elas já estavam dormindo há muito tempo. Hoje, no café da manhã me cobraram. Como vês, já ando siderada, e Pedrinho, disse-me; "Tia, acho que tu estás apaixonada!" E eu retruquei; " Como sabes, meu querido, como é estar apaixonada?" E ele: "Estás muito distraída, e teus olhos brilham muito. Também suspiras a toda hora" Eu sorri, percebendo que realmente os sintomas são clássicos. Ele ainda perguntou:"Teu namorado, vai vir para as férias, com a gente?" E eu respondi; " Meu querido, quem me dera, ele trabalha muito,e não pode vir... " Pedrinho logo mudou de assunto, as crianças são perfeitas. E eu pus-me a imaginar, tu aqui, entre estas crianças, eu arrastando-te para os desvãos, ou para atrás de portas, pra devorarmo-nos de beijos escondidos. Patrícia, por sua vez me fala do seu namoradinho, e o guri, deve estar apaixonadíssimo também. Ah' A pureza de seus comentários, de seus sonhos! Os meus, são tão cheios de imagens eróticas, eu sei, mas sou assim desde criança. E posso parecer pretenciosa, mas não me considero menos pura. É verdade que sonho coisas loucas, às raias do sofrimento físico. Mas que mulher não tem estas fantasias, já que até no momento sublime do parto, nosso êxtase está associado à dor? Ah! Andréa, uma vez escrevi um conto que era um apelo, em forma de carta à Aline: "Tudo o que faremos quando voltares" . E meu desvario romântico se repete agora, devaneando com as coisas que farei contigo, um dia, no meu bosque, no ribeirão, e na minha pradaria. No meu pomar, também, diante da minha macieira cujo segundo A gravado, estará transformado no teu A, de Andréa. Percebo, por tuas cartas, como és delicada, e romântica. E mais cuidadosa, também, com as palavras. Tens mais pudor que eu, parece-me. Tens talvez , um pouco de medo de sofrer comigo. Eu sei, sou muito doida, muito afoita, e talvez possa atropelar sentimentos. Mas olhe, também sou uma guria, como tu, e minha experiência é tão relativa... apesar dos meus amores passados, muitos dos quais carrego ainda dentro de mim. E quanto sofri, também, por eles! Tanto ou mais que os meus parceiros, homens e mulheres queridos da minha vida. Andréa, tenho que interromper. Continuo mais tarde. Estou molhadinha e com vontade de fazer xixi. Vou fazê-lo com volúpia, pensando em ti, que ouvirás o barulhinho e te enternecerás...
Beijos, beijos na tua boca e... na tua pombinha.

Alma

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Carta 5 - Alma ansiosa

17/12/05
Andréa, Andrea, Andrea, morena... te imagino um pouco como uma cigana, um pouco como a Rafisa. E teus pelinhos negros... Antes eu não gostava da palavra pentelhos, agora gosto de ... pentelhinhos. Acho terno. Os meus são louros e ralos. Fazem um tufozinho de nada, só em cima, dois dedos acima do clitóris, e são dourados e macios. Minha vulva fica exposta, e seria escandalosa de tão nua, se não fosse perfeita como a de uma adolescente, fechadinha, como uma concha.Confesso que me orgulho dela. Agora anda sempre molhada. Amor, estou ansiosa pela tua nova cartinha. Tenho medo de ter te assustado. Fui talvez muito louca, nas últimas duas. Não sei... Eu sou assim. Mas olha, creio que entramos num processo sem volta. E temos tantas aventuras a percorrer juntas, não achas? Se vieres comigo nesta viagem mental, sexual e... até mesmo espiritual, exploraremos um mundo que a absoluta maioria das mulheres nunca têm coragem suficiente de enfrentar. Não sentes?
Vê, estou te cantando, insegura, como se já tivesses me abandonado. Uma vez, uma pessoa, talvez maldosa, me chamou de "Casanova de saias". Fiquei primeiramente chocada. Depois achei graça e incorporei. Agora, tenho medo de que possa se tornar uma pecha, baseada num equívoco. Sou romântica, sou pura, e só quero amar e... ser amada. Mas a intensidade da minha paixão confunde, às vezes, o mundo. E também, devo reconhecer, a intensidade do meu tesão. Isso começou muito cedo, na minha infância, com Rôdo; e na pré-adolescência, minha mãe, escandalizada, nos separou, pondo meu irmãozinho num internato. Ah! As coisas que ela me dizia, isso sim me escandalizavam, me chocavam! Eu era inocente apesar do meu fogo, e assim me considero até hoje. Não consigo ter o sentido do Pecado, nem sequer do Mal. O Vati me criou como uma pagãzinha, e foi a cavalo perseguir minha mãe, que, na charrete com Galdério estava me levando escondida para ser batizada, numa aldeia próxima daqui, e me tomou dos braços dela.
Andrea, posso, daqui por diante escrever teu nome sem o acento, que é como o sinto? Assim será só meu. E soa mais antigo e nobre. Quero saber o que estás me lendo,que conto, que poema, que página. Assim vou te rastreando dentro de mim mesma. Entendes? Nos cantos do meu casarão, nas alcovas te surpreenderei. No meu jardim, te tombarei sobre a relva, entre as flores. No ribeirão te desnudarei e farei contigo e Aline, um delicioso "ménage-a-trois". O casarão palpitará de noite, de suspiros e murmúrios, enquanto os anjinhos dormem. Ah! tudo é dado às mulheres que tem imaginação, que têm espírito, na acepção clássica da palavra. Quem poderá nos deter, nos reprimir? Ousaremos tudo! Vou possuir-te até o sangue, e tu... me virarás do avesso! Sou uma alma nua, sou Alma, ninguém pode me censurar. Já nasci livre, e livre morrerei!Como a Carmen,como a Rafisa! Sou Alma Welt, poetisa de minha época,pós- moderna para alguns, mas atemporal, eu sou uma alma descarnada, dentro de uma moça branca, branca de doer na vista de alguns.
Ai! Quero chorar... não caibo dentro da minha pele, não tenho pouso no meu voar nesta vida. No turbilhão sem descanso dos amantes eu estarei, no segundo círculo de Francesca estarei, se descer aos infernos! Quem estará nos meus braços no meio da ventania? Aline, Andrea, as duas?
Ai, minha morena, estou delirando, porque faz muitas horas que não ouço tuas palavras na telinha. Sou patética, eu sei, porque me comovo frequentemente com minha própria beleza, interior e exterior. Vou pirar sem volta, um dia? Minha pobre irmã assassinada dizia que sim, e até torcia por isso, antes de pedir-me perdão no seu momento extremo.
Enquanto não me escreves, estou com os braços abertos, nua, cravada no papel da tela, como Mayakovski, esperando pelo teus beijos!
Tua, doida

Alma

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Carta 6 - Alma, mais "delírios"

16/12/2006
Andrea
Amor, prepara-te: se leres meus Contos Secretos vais saber quase tudo sobre mim, coisas que eu não teria coragem de contar, senão assim, num livro que nem sei se um dia será publicado, mas que confio às tuas mãos(eu permiti ao Guilherme que o passasse a ti, por intuição, não faço a qualquer um). Já me conheces tanto! E um dia irás conferir cada centímetro do meu corpo, que ora imaginas, como eu o teu.
Sim, quero que sintas meu sexo descendo devagarinho sobre tua boca ávida, e já que queres, sentirás o meu xixi, dourado, talvez ao sol, escorrendo na tua boca e depois pelos teus seios. Tu colarás a tua boca na minha boquinha de baixo num longo beijo, sugado, quente, molhado, que me fará ondular sobre ti... e quase desmaiar. Eu me curvarei sobre ti num glorioso "sessenta e nove", e por minha vez, degustarei a tua pombinha morena, de lábios úmidos, melados de tanto gozo, e gozarás mais ainda na minha boca carnuda que amarás quando conheceres com teus olhos, com teus lábios. Ah! Andrea, tudo o que faremos quando nos encontrarmos! Tu abrirás minhas nádegas muito brancas, como um fruto, e contemplarás a minha fenda e o buraquinho rosado de trás, muito fechadinho que quererás lamber, eu sinto, e introduzir a ponta da tua língua, ai! eu sinto e me arrepio, verás escorrer um mel perfumado da minha pombinha rosada e quererás colhê-lo trocando de buraquinho a ponta da tua língua. Ah! Andrea, sinto que quererás nesse momento possuir um grande pênis como o do meu irmão Rodo, desmesurado, de enorme glande rosada, para penetrar-me, possuir-me, abrir-me, "arrombar-me" mesmo! E eu, eu quero outro tanto contigo. E eu o farei. Hei de comprar um desses artefatos(inventados por Dioniso, na Grécia) num Sex-Shop. Hei de ter coragem de fazer isso um dia, para revezarmo-nos com ele afivelado às nossas cinturas como imagino. Freud tinha razão, tenho inveja do pênis do meu irmão, mas só para possuir-te, morena, que imaginar-te está me pondo mais louca do que já sou...
Os meus cachorros se aproximaram agora, meu Weimaranner Nietszche e meu dinamarquês Kierkgaard. E puseram cada um por sua vez as grandes cabeças deles sobre as minhas coxas, que estou sentada digitando. Logo senti o o focinho deles farejando a minha pombinha molhada, metendo o nariz frio quase dentro de mim, e bufando. Estão excitados. Os seus são assim também? Estão talvez sentindo o odor dos meus feromônios em ebulição. Seus pênis estão enormes, aparecendo,rubros, dependurados, e sinto que que se eu estivesse nua, eles me estuprariam. Verdade! Não posso confiar neles... talvez o façam um dia, se me pegarem de jeito.
Ai, estou louca, de falar assim, tudo, para ti, que deves estar de cabelo em pé. Ou os cabelinhos, o que é melhor! Mas eu, eu é que vou te pegar de jeito, e jogar-te no chão, de quatro, para te devassar por trás com meus olhos, com minha boca, com minha língua, e até com meus dentes, em dentadinhas nos teus lábios, no teu clitorinho! E depois, se estivermos completamente loucas, vou chamar meus cachorrões para terminarem o serviço!
Andrea, estas loucas fantasias já me doem, pois tenho orgasmos no ar, por assim dizer, e abraço o vazio. Esta noite introduzi meus dedos na minha fenda ensopada, e depois, titilando meu clitóris longamente, gozei, gozei, pensando em ti. Meus sobrinhos estão percebendo algo, da minha loucura. Minha irmã Lucia( não te falei ainda dela) está me olhando de esguelha. Ela me conhece, embora quase nunca diga nada. Ela é um poço de discrição. Mas ela me ama, e é condescendente com sua irmãzinha artista (ela é pouco mais velha que eu).
Será que me acompanhas daí, nesta loucura a que quero arrastar-te? Me acompanharás? Gozarás comigo mil orgasmos?
Vou parar por aqui, por ora, que os cachorros estão cada vez mais inconvenientes e está dando na vista. As crianças já riem. E o olhar do Rodo brilha...
Tua Alma



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Carta 7 - Alma melancólica

17/12/06

Minha Andrea

Hoje acordei melancólica, talvez em contraste com a tua linda euforia (adoro o jeito sintético e sugestivo, com que escreves, eu que sou tão prolixa). Mas, voltando a esta tristeza, não penses que sou dada a tpm. Não, isso nunca aconteceu comigo, e na verdade , tenho um hábito que pode parecer estranho e que já descrevi alhures, em alguns momentos de contos ou romances: nessas ocasiões fico mais voluptuosa que nunca, não uso calcinha por baixo, e saio pelo campo ou pelo bosque para sentir o mênstruo escorrendo pelas minhas coxas, freqüentemente até os pés. Isso me dá um prazer imenso, e já aconteceu de ter orgasmos, de pé, gritando, gritando, na campina ou no bosque, no meio de um súbito e estranho silêncio da passarada. Mas,ai!, Andréa , hoje detectei a raíz dessa melancolia, cíclica,que me pega, às vezes nos momentos mais belos da minha vida, como agora. Voltam as imagens de um momento crucial, de minha infância: o estupro que sofri , num paiol de milho, numa fazenda mineira, de parentes, e que insinuei, sem descrever, no final do meu conto"As Férias da Infância da Alma". Um primo dos meus primos, mais velho , de uns trita e tantos anos( e olhos verdes de serpente) encurralou-me naquele paiol, e estuprou-me. Abusou de mim, com violência e requintes, por uma hora inteira. E eu não podia nem gritar, pois ele me sufocava, e eu corria perigo de morte, com sua manopla em minha garganta. Eu tinha apenas doze anos!Arrancando minha calcinha, ele me pôs de quatro,e lambuzando meu ânus com a clara de um ovo que ele colhera no galinheiro ao lado, penetrou o meu furinho de trás, tão pequeno, com aquele pênis enorme, grossíssimo, rombudo, de mineiro, dizendo em meu ouvido(nunca me esqueci dessas palavras grotescas, terríveis): "Priminha,tô de olho em ocê, depois daquele seu casamentinho de mentira. Já que ocê continua cabacinho, vou entrá no teu buraquinho de trás, pra ocê sabê o que é um home mesmo, e depois ainda podê casá de verdade". E enterrou a sua "lança" (assim o senti), com uma força,tudo de uma vez, no meu pequeno ânus virgem,de uma só estocada, até o fundo,até o seu talo, numa dor tão grande, que permaneceu em mim, como a lembrança de um parto às avessas, cujo grito primal ainda reverbera nos ouvidos da minha alma. Ah! Andréa , eu quiz por um momento... morrer. Mas, como ele continuou muito tempo usando-me,( ai, que vergonha!) comecei estranhamente a sentir prazer! Tenho que reconhecer e confessar isso, pela primeira vez a outro ser humano, a você minha querida, em quem sinto que posso confiar.Ele inundou-me afinal , pela primeira vez, as minhas víceras com seu caldo branco abundante, retirando logo, para olhar-me, assim por trás, abrindo com os dedos minhas brancas nadegazinhas, para olhar o seu esperma escorrendo, numa golfada, do meu buraquinho arrombado. Então(ai,eu hesito em contar-te)ele enfiou de novo, e em vez de recomeçar a bombear, parou, imóvel dentro de mim, parecendo concentrado,e então comecei a ouvir um sibilado e um calor intenso tomou-me por dentro. Ele estava urinando dentro de mim! Quando afinal saiu, eu tinha contrações fortíssimas em minhas vísceras , que fizeram sua urina esguichar, amarronzada, do meu ânus à distancia de um metro!E ele ria, ria, de mim, enquanto eu chorava, chorava, de dor e de vergonha.E eu só tinha doze anos...
Andréa, tu podes imaginar, fiquei andando com as perninhas meio abertas, por uma semana, e foi difícil disfarçar, para que minha mãe não descobrisse o acontecido, ainda mais que ela costumava descobrir-me a noite enquanto eu me fingia adormecida, para examinar minha pombinha, pois desconfiava (com razão), das minhas relações com meu irmãozinho. Ah! Se ela descobrisse o acontecido! Que escândalo, quanta vergonha mais eu passaria !
Entretanto, não quero que fiques com pena de mim. Não é o meu propósito ao revelar-te esse episódio estranho e doloroso da minha vida. Tanto mais que já te confessei que senti prazer misturado à dor. Pode ser que esteja aí a raiz de um certo masoquismo detectado pelo meu analista, o doutor Platus (qualquer hora te contarei sobre ele, suas relações comigo), embora isso possa, por outro lado, se dever, ao flagrante sofrido junto com Rôdo, debaixo da minha macieira, pela minha mãe, Ana Morgado, açoriana e moralista.
Mas querida Andréa, eu não queria perturbar a tua alegria, que percebo por tuas cartinhas, que estás tão feliz, em conhecer-me e tocar-me em imaginação e espírito, como eu a ti. Como vês muito do que quero fazer contigo, tem raiz, lá, no sofrimento associado ao imenso e perturbador gozo,da ninfetinha que eu era, e que ainda sou em meu coração.
Querida, és tão romântica quanto eu, e saber que murmuras meu nome na rua e no banho, comoveu-me tanto que, hoje, estando assim sensível, chorei e chorei muito, soluçando e dizendo também o teu nome, chamando-te em minha alma dolorida. Já tens asas minha querida, pois te sinto sobre mim, nos meus sonhos e devaneios. E a ti sim, quero dar-me tanto que poderás causar-me dor,e eu gostarei, da dor que me causares. Tu sim poderás urinar em mim, que me banharei no teu jato dourado, quente , e me redimirei, daquele "mijo" mineiro, espúrio , da minha infância. O champagne que quero que derrames nos meus pelos, é isso: teu xixi, dourado quentinho, que sentirei na minha pombinha, abrindo-a com meus dedos para senti-lo dentro de mim.
Continuas lendo-me, me seguirás em todas as minhas alegrias e dores, me contarás mais de ti? Ah! morena, quanto vou devassar-me e também a ti, nestas cartas, que o mundo jamais poderá conhecer!
Tua ardente
Alma


Carta 8 - Alma molhada

16/12/06

Eu também, minha querida, me sinto assim... e igualmente molhada. O tempo todo. Que loucura, não? O que foi acontecer conosco? Assim, tão depressa... e tão raro! Acredita, meu amor, que é primeira vez na vida que namoro pela Internet? E estou tão feliz também! Eu te vejo quase que... claramente, talvez falte alguma nitidez nos teus traços, morena, cabelos escuros, estatura que fará teu rosto afundar entre meus seios, que te acolherão palpitantes de emoção. E depois, eu te receberei lá embaixo, entre minhas pernas, pra que colhas o meu leite, sim, como disseste. Quero que sugues meus lábios de baixo, que são tão rosados que te encantarão.Quero que mordisques meu clitóris, que sempre achei que parece um "pintinho" minúsculo que tenho ali, e que gostaria até que fosse grande e potente para te possuir, com força, penetrando os teus dois buraquinhos, que imagino doces e perfumados como os meus. Ah! vou gozar tanto contigo, minha morena... já estou gozando, ao pensar em ti, assim.
Quero me entregar a essa paixão nascente por uma gauchinha morena, como uma "chinoca" de outrora, que imagino cavalgando na mesma sela comigo, na minha pradaria, na minha frente, apertada em meus braços. Como outrora, com minha Aline, eu apearei primeiro e abarcarei tua cintura para fazeres apear (tu cairás por cima de mim, que nunca fui tão forte), e riremos, as duas, já nos desnudando em plena planície entre as coxilhas. Ali quero mergulhar nos teus cheiros, nos teus sumos, entre tuas pernas que estarão bem abertas e para o alto, patinando no ar, do prazer que te darei!
Ah!Andréa ...., que nome lindo e inspirador tu tens, soa como o de uma marquesa,espanhola... da Renascença.Já nos conhecemos antes? De outras vidas?
As crianças me rodeiam aqui, Patrícia, Pedrinho, Hans e Christian, e com suas anteninhas já percebem que sua tia está diferente, sonhadora, mais que nunca, e com arrepios súbitos, fora de hora, até na mesa, às refeições. Hoje à tarde molhei tanto minhas calcinhas que sentada sobre meu vestido fino, ficou uma mancha, que meu sobrinho Hans, puro como um anjo,notando,exclamou: "Tia Alma, acho que fizeste xixi! Olha atrás do teu vestido!"
Sim, Andréa, já fazes isso comigo. O que não farás quando pusermos nossas mãos, uma sobre a outra?
Queres meu sexo na tua boca... eu desmaiarei se o fizer, e te sufocarei se estiver sentada em tua boca! Assim vi a cena que me sugeriste... e creio estou ficando louca. Mas olha, não te telefonarei por enquanto, não ainda. Quero continuar sonhando contigo, acordada, enquanto tuas formas se condensam diante mim, na minha mente , um pouco mais a cada dia. Tu te materializarás, talvez , um dia, diante mim, aqui na minha estância, no meio do jardim de minha avó, entre as flores, entre as "minhas pequenas flores do riso", como as designei num conto . E estará nua! Que é como te imagino, o tempo todo.E então te pedirei para urinares sobre as minha flores, para eu ver, estranha fantasia que sempre tive e que me perdoarás...
Andréa, novamente me chamam. É Rôdo, meu belo irmão que está chegando, afinal, e quero correr para abraçá-lo. Contarei de ti, ele compreenderá. Mas abanará a cabeça, dizendo:
-Alminha, continuas a mesma louca de sempre. Vamos, dá-me outro beijo!


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Carta 9- Alma acordada

18/12/06

Nunca imaginei que ia estar apaixonada por uma guria assim moderna de verdade, e tatuada. A vida reserva surpresas. Aline não tinha nenhuma tatuagem, talvez por ser modelo de atelier, embora isso não seja, na verdade, empecilho. Imagino até que os pintores figurativos verdadeiramente modernos já incorporam esse dado nas suas pinturas. Mas eu, não sei o que sou como pintora... tenho uma vertente figurativa na minha pintura, erótica, creio, dedicada principalmente à Aline. Mas não descarto a possibilidade de começar a aparecer a Andrea tatuada, nua, em glória, se tu deixares. E profundamente sáfica. Sim, sou capricorniana, do comecinho de Janeiro. Eu nunca me tatuaria, pois nesse sentido não sou moderna, e prezo demais a alvura perfeita da minha pele. Olha como eu estou sóbria! Já estive mais altinha esta tarde. Dei uma pausa no vinho Em compensação o Rôdo está bebendo bastante, já começa pegar na minha cintura a todo momento e a me abraçar com demonstrações efusivas de carinho. Mas toca-me disfarçadamente os seios, e quando me abraça murmurando coisas no meu ouvido, eu sinto seu enorme pênis semi-ereto entre minhas coxas. Eu o conheço profundamente e sei que ele vai querer ter-me esta noite, se ele não passar do ponto e não capotar. Não sei, Andrea, o que acontecerá, mas não me furtarei, não consigo, se ele me quiser e... conseguir. Isso é assim desde a nossa adolescência. Já fui até julgada por isso (leia meu romance A Herança, a parte do meu julgamento). Mas querida , não sinta ciuuuuuúmes, eu te peço, não do meu irmão. Somos unha e carne desde guris, de piás. Sabe,querida, senti um arrepio quando tu disseste que queres me chupar de manhã. É quando tenho mais tesão. Acordo já tesuda, e se tenho alguém do meu lado, vai ter que me comer! Eu boto minhas longas pernas lá pra cima, ou engancho-as nas ancas do meu parceiro, homem ou mulher. Agora quero ser devorada por ti, que me chupes tanto que gozarei na tua boca. Sabe vou contar-te algo que gostarás de saber, e que ainda não tinha te contado. Eu ejaculo! Copiosamente, coisa rara entre as mulheres. Um líquido cristalino e perfumado, delicioso, para o parceiro que sabe dar valor. Alguns homens inexperientes se assustam, pensando que é xixi, que simplesmente "mijei-lhes" na cara. Sim, porque espirra longe na boca, na cara do parceiro ou parceira, ou sobre os lençóis num jato abundante, enquanto tenho contrações alucinantes em meu baixo ventre. O próprio Rôdo me ensinou a assumir isso com orgulho, como algo supra-normal, e não uma anomalia, que no começo me aterrorizava ou envergonhava. Trata-se do mais cristalino, perfumado e delicioso líquido que um ser humano pode secretar. E eu tive medo, veja só, eu, que sempre me atraí pela urina, desde pequena(vide o conto "Dias gloriosos, mistérios gozosos", dos Contos Pampianos).
Mas querida, preciso te contar, e vais perceber quando tiveres lido a segunda a terceira partes d' A Herança,que fui estuprada mais duas vezes na minha vida, a poucos anos atrás, e essas duas vezes num intervalo curto de tempo. Não sei porque isso acontece comigo... ou sei, as vezes acho que sei. Meu corpo é demasiado sexuado, instigante demais, meu andar e minha voz também, e o meu olhar... bem, quero dizer, as pessoas acham-me ostensivamente sensual, por mais que eu tente ser discreta em público. Tinha que acabar dando nisso! O Pedro, namorado da Aline estuprou-me sobre os caixotes de livros da minha mudança, no atelier desmontado, quando tratava de mudar-me para a estância com Aline. E foi brutal, machucou-me muito. Tomei-lhe horror, ainda tenho medo dele aparecer para querer mais. E depois no meu bosque, aqui na estância. Fui violentada pelo meu cunhado Geraldo que foi morto, na ocasião numa circunstância escabrosa, que as pessoas hesitariam em acreditar. Está tudo no meu livro. Foi muito traumatizante. Eu estava menstruada, sangrando perna abaixo, até os pés e ainda urinei-me de medo, o que o instigou ainda mais. Ele fez comigo coisas inacreditáveis, violentamente, antes que eu fosse salva pelo Gunther. Mas isso está tudo lá.
Andrea, meu amorzinho ,contei-lhe mais coisas sobre mim, e ainda há tanto a contar. Conta-me tudo também sobre ti. Não me escondas nada.
Agora tenho que desligar, o Rôdo está inquieto e meteu a cara aqui na telinha querendo ler o que te escrevo. E acaba de agarrar-me um seio, descaradamente. Ele está bêbado. E continua bonito, o safado!

Beijos, beijos na tua bucetinha!

Alma

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Carta 10- Alma arrependida

18/12/06

Querida,não me perdoo. Eu te magoei. Tu és ciumenta, tinhas me avisado, e eu acho que "brinquei" com teus sentimentos...Fui leviana, contando-te tudo aquilo, e em detalhes ainda por cima. Sou, uma louca irresponsável. Será que podes me perdoar? Já estás sofrendo por mim... Mas olha, eu pensei que eras mais durona.Mas , Andrea, eu jamais quereria te magoar, deliberadamente. Estás realmente sofrendo pelas coisas que escrevi? Ou porque estás fragilizada pelos sentimentos que desenvolveste a meu respeito?Tu já me amas? É por isso que sofres? Estou no ar, com teu bilhete, e não sei direito o que pensar, como interpretar as tuas poucas palavras. Nem sequer me chamaste de querida. Estás magoada. Ou.. por acaso sofres de tpm? Diga-me alguma coisa.Ah! meu Deus, por que sempre acabo fazendo as pessoas sofrerem, sem que eu queira isso? Será meu desenfreado erotismo que acaba produzindo isso? Olha, meu amorzinho, eu te amo, te quero, embora não tenha te visto ainda. Mas vejo tua alma, tua feminilidade e teu carinho. Vejo já o teu amor...por mim. Olha, eu queria até divertir-te com as coisas que conto. Para que gozasses,aí, mesmo de longe, pensando em mim, e nas minhas besteiras.Eu sei, é tudo verdade o que conto, mas ao mesmo tempo corresponde a fantasias das mulheres, eu penso... Por quê sofres, pelos meus estupros? Pela minha relação com meu irmão? Não podes aceitá-la, ser indulgente, "entrar no jogo",por assim dizer? Não sei o que pensar das tuas lágrimas, e estou me enchendo de sentimento de culpa. Não suporto me sentir culpada. Andrea, me perdoa, me perdoa. Amorzinho, deixa eu beijar a tua boca, deixa eu acariciar teu corpo, pegá-la nos meus braços,guria tatuada, és mais frágil e vulnerável, talvez, que uma donzelinha. Ai! Que sei eu te ti ? De nós?

Responda-me logo, perdoa-me, esclareça-me
tua Alma


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Carta 11- Alma aliviada (ou "Carta das imperecíveis estrelas")

20/12/06

Andrea minha

Meu amor, eu é que sofri com o teu silêncio depois de revelares tuas lágrimas copiosas, como disseste. Só agora pude voltar a abrir minha caixa, pois fui com Matilde, Galdério, Rôdo e Patrícia, até a aldeia natal de minha babá, a uma hora daqui. Ela queria rever uns parentes e rezar na capela do lugar, para agradecer as dádivas de sua vida. Passei um dia lindo, que seria perfeito não fosse a preocupação com tuas lágrimas. Só agora, chegando, corri para o computador para ver que me responderas, afinal. E fiquei aliviada... Minha querida! Já sofremos uma pela outra... Estamos amando, e isso é bom, mas dói, não é? Porque será que nos machucamos quando amamos? Não queres que eu te conte mais, esses lances muito loucos da minha vida? Ah! É difícil para mim ocultar, sou explícita de mais, não sou? Mas eu penso que estou agradando, te excitando! Sabe, sou erótica por natureza, amo o erotismo, desde criança, e já fazia coisas loucas com meu irmãozinho e até com priminhas, na infância. E gostaria de ir te contando aos poucos essas coisas, pois me dá muito prazer confessar-me. Sou um tanto masoquista também, e assumo isso. Podes aceitar tudo isso em mim? Sei que não sou uma guria “normal”, pelos padrões médios convencionais. Mas eu nunca fiz questão de ser normal. Vivo sob a égide da paixão do deus Eros, e de Psiché. Sinto muito, ó Mundo cristão!
Durante o caminho de volta, minha sobrinha, de uma candura deliciosa, disse-me num certo momento: ‘Tia Alma, porque nunca rezas à Santa Maria, nem nunca me levaste antes à Igreja? Também nunca contaste uma estória de santo. Perguntei à tia Lúcia, e ela disse somente: “Pergunte a ela, querida”. E eu respondi à Patrícia;
“Querida, é porque, para mim, a igreja é todo o Pampa, é toda esta pradaria sem fim e não quero um teto sobre este templo senão este azul, estas nuvens. De noite quero um teto de estrelas, e cada árvore é um altar. Não viste nossa macieira, nossa Ara dos Pampas? Ali rezo a Deus e ao outros deuses menores, e meus santos são os numes do Pampa. Sabe querida, sou devota do Negrinho do Pastoreio.”
Patrícia riu como se fosse uma brincadeira minha. Mas eu fiquei meditando em quanto fui sincera na minha resposta. E logo foi caindo a noite, ainda na estrada, e eu fiquei estranhamente comovida, com a estrela Dalva, e depois com todas elas, que foram pintalgando o imenso teto do meu templo. Então, pensei em ti, Andréa, meu erótico amor platônico, e sentindo me só, pelo teu silêncio, comecei a derramar lágrimas silenciosas, ali, naquele carro, olhando “as imperecíveis estrelas”. Patrícia, então, passou a mãozinha no meu rosto, e disse, apenas, com os olhos úmidos:
“ Tia Alma... eu te amo tanto!”

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Carta 12- Alma enlouquecida

20/12/06

Meu amor, que alegria te ver assim desatada, louca, louca de tesão, de paixão. Também estou assim, e as crianças riem de mim. Rôdo me olha com curiosidade e já perguntou-me por quem estou apaixonada agora. Eu não lhe respondi, não é preciso. Fiz um ar misterioso... Na verdade o Rôdo, que é um bom sacaninha, tem sempre a veleidade de esperar deitar-se com todas as minhas parceiras, o que aconteceu, muitas vezes no passado. Ele adora fazer ménage-a-trois comigo e alguém que eu esteja amando de verdade. Com Aline e Laís foi uma loucura, e descrevi tudo no romance "A Herança", que é totalmente autobiográfico, acredite, como aliás quase tudo o que escrevo. Somente o conto "Na trilha dos menestréis" é imaginário, e o romance, "Retorno..." também, baseados em experiências que me foram contadas pelo querido Guilherme. A propósito, tu o tens visto? Quando eu o conheci, tive tal atração por ele que me desnudei logo para ele pintar o meu retrato. Ele não esperava tanto e ficou alguns minutos paralizado de emoção, com os olhos cheios de lágrimas, antes de começar o seu magnífico trabalho. Digo isso, porque ele me escreveu um e. mail me pedindo autorização para enviar-te o meu conto "Anagramas" , que conta como nos conhecemos, e o sentido espiritual do nosso encontro nesta vida. Eu autorizei, claro. Quero que tu saibas (quase) tudo sobre mim. Tive um caso com ele, ardente, tempestuoso, mas que não pôde ir em frente, pois sua mulher interferiu, teve muito ciúmes, e procurou-me um dia, implorando para eu "deixá-lo em paz". Chegou a ajoelhar-se aos meus pés. Acabei abraçando-a, enquanto ela chorava nos meus braços. Foi uma cena cinematográfica e patética. Mas eu tenho um verdadeiro afeto por ela, e não quis magoá-la mais. Ela foi uma mulher muito bonita quando moça e isso ainda se percebe. Nosso caso acabou se platonizando, pois ele me considera sua "última e definitiva Musa", com ele diz , o que é motivo para Eliana continuar sofrendo, claro. Entretanto, por incrível que pareça, ela não me odeia, e parece ter respeito por mim. Se ela fosse chegada eu teria ido para cama com ela, apesar dela ser uma mulher madura, cinquentona.
Querida,releio a tua última mensagem, em que estás louquinha, pedindo que eu te coma, sentando, inclusive, na tua bucetinha para colheres com ela meu caldo abundante.Quando tenho tesão fico tão ensopada que me escorre pelas pernas quase como se fosse xixi. E quando eu gozar vais sentir aquele jato puríssimo de que te falei, minha ejaculação fenomenal entrando até o fundo da tua vagina. Aí vais gozar tanto que gritarás meu nome,e todos saberão no prédio que está com a Alma, a louca dos Jardins, a louca dos Pampas.
Olha, querida, tenho que desligar, estou atrasada para o almoço com todos lá na sala. E tenho de enxugar a minha bucetinha antes de me aproximar daquela mesa, pois estou escorrendo e dando a maior bandeira. Olha, vou fazer uma coisa arriscada: vou anexar aqui um conto meu , tão escabroso, que nunca publicarei em vida. Faz parte de uma série que denominei Contos Proibidos, por isso mesmo. Mas como já fui longe demais contigo, contando tantos segredos , e como és aberta, como eu, talvez não te choques tanto. Aí vai, abra o anexo. Se gostares, envio-te mais. Beijos molhados na tua bucetinha e também no teu cuzinho mimoso.

Alma



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Carta 13- Alma indócil

21/12/06

Oi querida, sabe, o Guilherme me mandou outro e. mail. Ele não está se aguentando de curiosidade, de saber qual o teor da nossa correspondência. Acho que ele intui que estamos tendo um caso. Afinal ele é um homem experiente, e um artista. E depois tu sabes, ele me ama, tenho consciência disso. Eu disfarcei, não quero fazê-lo sofrer, desde que pus um fim no meu caso com ele, a pedido de sua esposa. Mas como podes ver no conto que ele te mandou (ele já o fez?) nosso caso é antigo, remonta ao século XVII, quando tudo leva a crer que eu já era a sua Musa. O seus anagramas revelaram isso. Olha, ele me contou que vocês vão estar juntos no (....) amanhã, a Eliana também vai? Duvido, ele vai querer te sondar. Tudo bem, podes dizer a ele o que quiseres. Se quiseres revelar a nossa loucura, ele entenderá, pois é o mais doce e superior dos homens. E não tem ciúmes de mulher (se é que isso é possível...)
Manda-lhe um beijo. Também tenho saudades dele... que agora vive só para promover a minha literatura, numa dedicação comovente. E que lindas caixinhas e ilustrações ele faz dos meus poemas!
André amanhã te escrevo, se aguentar passar essa noite sem mais sussurrar no teu ouvido: Te amo... sua gostosa, minha putinha querida que eu gostaria saber estuprar... dorme com o meu dedos dentro de ti, e aperta-os, em teus sonhos vaginais.. e... anais, fode meu amor, fode junto comigo. Só mulheres livres fodem assim.
Beijo perfumado de tua vagina

Alma



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Carta 14- Alma arrombandinha

21/12/06

Oi Gatinha

Hoje estou tão a fim de ti, que a toda hora volto ao teclado. Se estivesses aqui, estarias arrombadinha, de tanta besteira que ia fazer contigo. Me conta: Tu já ficaste "arrombadinha" antes, por puro amor?
tua arrombada de amor Alma

Ps. Adoro falar besteira, eu não sabia que era tão pornográfica assim, juro.


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Carta 15- Alma pensando em ti

21/12/06

Meu amor, acordei pensando em ti, para variar. E comecei a visualizar-te, tão moderna, numa "ilha de edição" (com fones no ouvido?) e tatuada(no braço e no ombro). Sempre de calça jeans(e molhadinha por minha causa?). É um universo bem diferente deste aqui, do pampa. As quatro crianças estão tão felizes... Olha que duas delas são órfãs de pai e mãe! Mas elas se sentem tão seguras do meu amor, que estão segurando muito bem. Às vezes Pedrinho, tem uns momentos de tristeza e introspecção melancólica. Ontem, o peguei chorando, e o pus no colo. Ele afundou a cabecinha no meu peito, e eu percebi que ele teve uma vontade, uma nostalgia de... mamar. E eu fiquei tão enternecida, que desnudei o meu seio esquerdo, e coloquei o bico na sua boquinha. Ele ficou assim, quase em posição fetal, no meu colo, sugando o meu seio durante muitos minutos,de olhos fechados, nós dois imóveis, num silêncio total. As lágrimas me corriam pelo rosto, e eu me senti a mãe mesmo deste menininho, que já tem oito anos. Ai!...
Tem o Hans e o Christian, nunca te falei deles, gemeozinhos adoráveis, que não se desgrudam e fazem tudo juntos. Até falam em uníssono, às vezes, e é muito engraçado. Todos são muito carinhosos e eu os beijo a toda hora. Patrícia, é aquela obrazinha de arte naif, e parece uma menina do começo do século passado. Nada a ver com essas adolescentes de hoje em dia, só ligadas em celular e em bandinhas de rock fugazes. Ela está estudando violoncelo, acredita? Portanto sei que ela já está salva, pois a arte enobrece, eleva, e afasta a burrice. As crianças moram durante o ano letivo com minha irmã Lúcia, em Alegrete. Eu bem que quis ficar com Patrícia e Pedrinho, mas Lúcia não deixou. No fundo ela me considera meio louca, não tanto, talvez, quanto Solange me considerava. Mas, passando as férias com as crianças, eu dou tanto amor a elas, que sinto que elas ficam recarregadas para o resto do ano. A vida é linda, Andrea, e eu amo tanto viver que às vezes a vida me dói, de tão bela que a sinto. Minha mãe achava que isso era justamente o problema comigo: acreditar que a vida é boa e linda, e não o "vale de lágrimas", feito para a penitência das almas pecadoras, de passagem para o céu, de que teriam que se tornar merecedoras, pela compunção, pelo arrependimento prévio.. de que? Do pecado original! ora bolas!( eu falei "ora bolas"? como sou antiga!...)
Meu amor, às vezes penso que posso te cansar, quando falo muita besteira, pornografia, etc. Mas sabe, descobri que a pornografia liberta, quando é usado sem malícia. E olhe que isso é possível, não acha? Não nos homens, claro, que são muito "sacanas", maliciosos, e portanto maldosos, conosco, mulheres, com nossos pobres corpos que eles olham como um objeto de uso ou de reprodução. Às vezes, como escritora, e até como mulher, no leito, tento me colocar na perspectiva deles, os homens, e vejo-me estranhamente erotizada, e surge aquele perturbador masoquismo, que tu deves ter percebido. Mas tudo se torna especulação para a artista em mim, e eu me comovo comigo mesma, por amar e achar tão interessante a minha própria vida, privilegiada, eu percebo, a começar pelo corpo que Deus me deu, tão voluptuoso, tão belo e cheio de apetites. O Guilherme está, segundo ele, dedicado a pintar somente o meu corpo( e a minha alma, também), seu último e definitivo modelo. Ele diz que vai fazer uma exposição no ano que vem, com esses quadros. E quer naturalmente que eu esteja presente. Tu acreditas que eu não estive presente no lançamento do meu livro, os "Contos da Alma"? Mas também tive um motivo muito forte: o acidente de carro, com a Ferrari de Rôdo, que me fez correr para o hospital em Porto Alegre, na véspera da tarde de autógrafos.
Andrea, tu és minha namorada, não és? Já te sentes assim? Eu te imagino e te beijo tanto, que hás de sentir-me aí, junto de ti, tocando-te... Faça assim: põe a mão na tua fendazinha rosada, e move-te pensando na minha língua aí, lambendo-te devagar para colher e engolir os teus fluidos. És azedinha, ou doce? Gosto de lamber também mais embaixo, o teu buraquinho no mesmo movimento, de cima a abaixo. E olha, nem precisas estar muito limpinha aí atrás. Eu te lavarei com a minha língua, como uma vaca à sua bezerra. E gozarás, estremecendo na minha boca, agarrando minha cabeça para que não se afaste de ti. Fica com estas imagens, minha linda, com esta cena, que mais tarde volto a falar contigo.

Beijinhos ali, nos dois buraquinhos ensopados da minha gata
tua Alma





Carta 17- Alma encantada

22/12/06

Andrea querida, lembrei-me agora de te dizer que fiquei encantada com um lance de uma cartinha tua, de uma imagem de uma beleza rara, e tão terna, que me encantou. Há dias que ela volta intermitentemente à minha mente visual: teu seio tocando (ou penetrando) minha bucetinha, te lambuzando em mim. Imagino o biquinho do teu seio, delicado e teso, entrando na minha xaninha, melada, como um pintinho... não,como um seio mesmo, é sublime. Só duas mulheres apaixonadas podem experimentar uma coisa assim! Ai, linda,quero fazer isso também com meu seio, em ti! E ficar com a minha aréola rosa toda melada de ti, para o resto do dia.
Alma



Carta 18- Alma reaparecendo

22/12/06

Amor, só agora pude voltar à telinha, e na casa de um estancieiro vizinho nosso. Tem muita gente aqui por perto, e tenho até receio de alguém sapear o que estou digitando. Ai, que vontade de estar em completa intimidade contigo, minha querida,pra devorar-te mesmo que seja virtualmente, sem o medo que estou de ser descoberta, de alguém dar uma olhada aqui. Espera... pronto, já se afastou um sapo. Olha, estou deslumbrada com isso de colocares teu seio dentro de mim, melando-te inteira. Já fizeste isso antes? É lindo!nunca fiz isso, propriamente, nem com Aline, nem com Laís. Vânia me possuía como um homem, e até machucava-me às vezes. Era também muito possessiva, e... machinha. Mas tu, Andrea, vais foder-me de todos os jeitos possíveis, e fazer-me mijar de gozo na tua boquinha, depois de ejacular nela, é claro. Vais engolir-me literalmente. Olha tenho que sair, o pessoal está indócil. Parecem enciumados comigo. Suspeitam que estou fazendo sexo com o meu amor, no meio deles. Como tudo isso é louco! beijos, beijos e uma mijadinha na sua bucetinha melada.
Mais tarde, dentro de uma hora eu volto para arrematar o serviço. Tua.... apaixonada

Alma

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Carta 19- Alma cadelinha

22/12/06

Oi, meu amor, agora sou tua putinha feliz (adoro essa idéia,de uma putinha feliz) Eu gostaria de ser assim, uma cabecinha mais oca, menos tumultuada e profunda, quero dizer, uma simples fêmea, nas mãos do ser amado, que me fizesse de objeto. Vê, uma fantasia escandalosamente inversa à modernidade, para horror das feministas. Tenho a "fantasia da Odalisca", e penso, voltando a São Paulo, ter aulas de dança do ventre. Quero que tu me pegues contra a parede, arranque a minha roupa rasgando-a, me deixe terrivelmente pelada, me dê um tapa na cara (não muito forte)e jogue-me na cama como uma cadela, para estuprar-me com teus dedos, com tua língua, com teus seios de bicos tesos! Depois, quando eu estiver humilhada e chorando, tu mijarás no meu rosto, nos meus seios, e na minha bucetinha aberta, latejante de tanto ser metida por ti. Quero ser a tua puta, Andrea! Joga-me de bruços, come meu cuzinho, brutalmente, com o que tiveres à mão. Depois cuspa nele, deixa-me chorando... chamando por ti... suplicando por mais... Ai!Andrea... sou tua Alma



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Carta 20- Alma descontando

22/12/06

Meu amorzinho, agora que pude ficar sozinha com o micro, estou descontando o tempo que fiquei longe de ti, e te deixei babando pela bucetinha, da falta das minhas besteirinhas, do meu carinho, do meu amor tesudo. Olha estou imaginando que está tão ensopada, de pensares em mim, que posso aparar numa taça de cristal o teu sumo, e bebê-lo antes de lavar-te com a minha saliva para continuares derramando o teu caldo, babado, perfumado, o dia todo. Olha eu colho esse caldo com dois dedos e lambuzo com ele o teu cuzinho, metendo-o para dentro para lubrificar-te, girando dois dedos dentro de ti, abrindo-os para alargar-te, e olhar-te por dentro. Ponho minha narinas bem perto para sentir seu cheirinho, e aproveito para dar uma cuspidinha a mais no teu buraquinho, agora tão alargado que parece um vulcãozinho latejante, ávido de um grande pau que não tenho, mas que improvisarei, com um sabugo de milho, ou em último recurso com meu cachorrão, a quem pedirei ajuda, para que ele te foda com aquele enorme pinto vermelho que eu invejo. Ai Andrea, que impotência diante da minha paixão, do meu desejo por ti.
Volto mais tarde, não posso mais, preciso masturbar-me e gozar...



Carta 21- Alma putinha 



Andrea, querida, chamaste- me de putinha...
Putinha e com toda honra, eu estou a peladinha para o que der e vier nas tuas mãos, sua Andrea sacaninha. Tu me saíste melhor que a encomenda, nenhuma das minhas gatas me comeu com tanto gosto como tu estás fazendo, pois eu sinto aqui, o teu toque na minha pele, e nas minhas mucosas abertas e meladas, esfregando nas tuas, no teu rosto, nos teus braços, até ficares recendendo ao perfume que brota do meu tesão. Quero que me empurres com força, me atirando sobre a cama, levante minha bunda ( tu a acharás maravilhosa, todos a acham, graças aos deuses, onde não apareceu ainda a celulite)que quando aberta com os dedos ou a palma das mãos apresenta uma buceta rosada, e um cusinho idem, que têm sido a perdição de homens e mulheres, modéstia a parte. Sabe Andrea, eu gosto tanto do meu corpo, tenho tanta gratidão e orgulho dele, que gostaria de me desdobrar para foder a mim mesma, e olhe que não estou falando de masturbação, não! É uma coisa estranha, eu sei. O cúmulo do narcisismo? Pode ser. Mas o prazer , não é sempre, em sua essência , ou em última instância, satisfazermos e cultuarmos nosso próprio corpo? Mas quero devorar o teu corpo também e esfregar minha bucetinha nas tuas tatuagens pra envernizá-las. Tu sairias com elas assim, na rua, no Fulô, rescendendo ao perfume da minha buceta insaciável. Olha que nossos feromônios jumtos podem atrair a cachorrada!
Ai, Andrea , às vezes eu fico até besta de tanta besteira que falo. Espero que eu nunca me envergonhe de te escrever tanta loucura. Será que o mundo compreenderia duas mulheres tão loucas e livres assim? Não sei, mas tenho certeza que ficaria fascinado. Continue me comendo, me fodendo, morena, faça de mim a tua escrava branca. Faça coisas inomináveis comigo, que o meu tesão não tem fim, como o meu amor. Tua Alma insaciável e puta.
PS. Isso! enfia a tua linguinha nos meus buraquinhos e mexe , mexe assim pra colheres o meu caldo antes que as crianças vejam-no escorrendo pelas minhas pernas. Um dia eu dei bandeira e o Pedrinho perguntou: "Tia, o que é isso?"



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Carta 22- da tristezinha 


Andreazinha,

às vezes acho que percebo uma tristezinha em ti, uma carência,
ou algo que se relaciona tão somente com essa sua relação comigo, que deve
ser insatisfatória, claro, pois não é palpável, literalmente. Mas, tens a tua ,.. não é? e vocês estão voltando, transando, não? Ah! Andrea, a vida tem um uma face triste conforme o ângulo que a olhes. Eu sinto tanto,Andrea, que não possa te tocar de verdade, e tu me tocares, e que eu seja uma louca. Eu perdi meu pai, minha mãe, até uma irmã que me servia de contraponto para a minha felicidade. Mas ainda tenho Rodo, Matilde e as crianças. No entanto, Andrea, eu me sinto ferida, na alma, como se ela sangrasse lentamente, e eu estivesse me esvaindo. Rodo diz que é porque eu fui e sou muito mimada, e quero todos e tudo da vida, que não tenho humildade verdadeira. Sábio irmãozinho. Fui criada como a princesa de meu
pai, e também do próprio Rodo.Sinto-me como desterrada, exilada de um reino que era interior e que não encontro mais sua correspondência no meu jardim, no meu pomar, no meu pampa. Todos me acham bela, e minha beleza não
serve para nada. Meus sobrinhos me amariam mesmo sem ela. Mas sinto que dela vem, ou que dela emana esse fogo que me consome, um tesão desmedido uma carência física, que me incendeia, e que nada pode satisfazer, uma sede infinita de amor físico. Por isso me transformei numa masturbadora mental, e até a minha literatura se ressente disso, percebo, pelo menos nos últimos textos. Eu vi meu prontuário, na clínica, e não é a primeira vez: ninfomania, esquizotimia. Traços esquizoides de personalidade, tendência à
esquizofrenia."... a paciente frequentemente entra em surtos
delirantes".Eles não sabem nada, Andrea, só vêm a superfície e colocam rótulos perigosos. Mas a dor é real. Sou poeta, Andrea, e esse diagnóstico eles não conhecem,para a maior doença da alma: a consciência demasiado presente da solidão humana e da certeza da morte.Quantas vezes choro nas noites e não tenho consolo. Saio, tantas vezes, do meu quarto, de madrugada(desde criança faço isso) e vou ao quarto do Rodo, e enfio-me nua sob as cobertas dele, ao seu lado só para tê-lo junto a mim, para não sentir minha alma e minha carne tão sós. E ele me abraça, Andrea, não me rejeita,e logo começo a sentir o seu grande pênis se erguer, pobre Rodo, como poderia ele resistir? E logo está ele dentro de mim, possuindo-me,
dando-me momentos de êxtase e de sobrevida, pois enxota a minha solidão por mais alguns dias. Esse era o desespero de minha mãe, e possivelmente causou a sua morte. Somos uma família trágica, Andrea, e decadente. O vinhedo naufraga, as dívidas nos rondam. Rôdo é um estroina, bon-vivant e jogador, encantador. Parecemos saídos de um filme de Visconti, como "Vaghe stelle de l'Orsa", e estamos morrendo sem perceber, de uma febre estranha que
transparece em nosso olhar. Não, Andrea, não quererias conhecer-me pessoalmente. Sou demasiado intensa, de uma intensidade anormal, e não caibo em minha própria pele. Aline caiu fora, Vânia pulou fora, Laís também. Somos trágicos, minha querida, ou... patéticos, mais seguramente.
Vivo como se construísse meu testamento ou meu epitáfio a cada dia, e minha subserviência à beleza é um desses sintomas doentios. Eu sei Andrea, e queria tanto ser normalmente feliz, como as pessoas normais, que não pensam tanto, ou não sentem com tanta intensidade. Mas sei que posso estar enganada, e que existe a possibilidade de todo mundo sentir assim, tudo isso, mas apenas se comportarem bem, com mais dignidade do que eu. Sou "a bela dama indigna", e acabarei na última camisa de força que restar. Ai, meu amor, tenho tanta pena de ter te envolvido assim nessa minha teia, que não é a simples "net", mas o labirinto mesmo... da Alma!



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Carta 22- Alma alucinada por Andrea

23/12/06

Meu amor, estou ficando louca, estou delirando de tesão por uma guria que nunca vi. Uma morena como Aline, que é morena clara, somente os cabelos pretos, pele clara, também (ai! Aline, onde tu estás? abandonaste-me, e agora estou louca , carente, e apaixonada por uma guria tatuada,mais moderna que tu, e que me come virtualmente com louco tesão, aceitando minhas loucuras).
Desculpa-me o parênteses, Andrea, veio-me uma nostalgia da outra, que eu tocava, fisicamente, e que perdi. Ela queria ter um filho, comigo!!! e entreguei-a a meu irmão para ser fecundada por ele, assim ficaria tudo em família... Contei tudo no meu romance "A Herança". Ela se tornou mãe de Marco, menino lindo, mas ela mudou, sua mente mudou, e eu a perdi.
Mas não quero ficar triste, estamos terminando o ano, as pessoas estão eufóricas e orgíacas, quero cair também na orgia. Quero beber e dar, feito uma putinha feliz. Ah! Andrea, já que não estás aqui,vou fazer alguma besteira, meu tesão está me enlouquecendo, preciso ser comida, ou vou ficar biruta. Meu irmão parece um belo fauno ou um sátiro indócil. Ele quer me comer, como outrora, como tantas vezes. Não aguento mais, Andrea. Vamos fazer um trato, um pacto. Tu darás para tua ex e eu eu me entregarei ao Rôdo para que me coma como uma puta, que sou. Ai! queria ser tua, gozar nas tuas mãos e na tua boca, Andrea, que mijasses em mim inteirinha e que me batesses, para me acalmar. Senão, vou fazer isso com meu irmão, que nunca levantou a mão para mim. Sua mão deve ser pesada, ele é forte, e macho, e eu o adoro. Ai!Que vergonha, as crianças estão aqui, me cercam e são tão puras! E eu? Eu estou louca. Não posso dar bandeira, não posso jamais fazer algo que choque estas crianças lindas. A Renina tem razão: sou ninfômana. Contorço-me de noite na cama, no escuro. Enfio meus dedos, fundo, na minha vagina e no meu cusinho, masturbo-me todos os dias, e não me satisfaço. Quero ser fodida às raias do aniquilamento! Quero que façam loucuras comigo e me humilhem. Ai! Andrea, este jogo, esta paixão é perigosa, porque está me pondo histérica, todos os meus amores desfilam ante meus olhos como a tentação de uma santa louca, tentada por súcubus e íncubus, e que afinal acende sua própria fogueira, por pura paixão, de si mesma .. e do outro ser humano, desejável, inatingível, imagem e semelhança de um Deus adorado e cobiçado. Ahhh! estou louca!
Vem meu amor desce devagar sobre mim os lábios delicados da tua vulva molhada, senta na minha boca, larga teu peso, deixa que a ponta do meu nariz fique quase enfiada no teu cusinho, não temas sufocar-me, mas sufoca-me, sim, podes até soltar um peidinho, quero todos os teus cheiros e fluidos, goza na minha boca, faz tua vagina linda babar no meu rosto, cobre-me inteira do teu visgo, depois... lava-me na tua urina. Mija dentro de mim, para eu poder adormecer exausta, apaziguada...
Ai, tenho vergonha, Andrea, estou louca de ti... E sou Alma Welt, triste beldade, sem freios, sem pouso no turbilhão, no haragano quentíssimo de minha própria alma...

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Carta 23- Alma se acalmando

23/12/06

Meu amor, deita-te aqui ao meu lado, assim, põe tua mão sobre o meu alvo seio, suavemente, assim, ficarei de olhos fechados, esperando o toque de tua outra mão, na minha vulva, que está meladinha, escorrendo sobre o lençol. Podes manipulá-la como quiseres enquanto sugas meus lábios cheios, que adoram o teu hálito de mulher. Diz que me amas, que me adoras, que serias capaz de me lamber todinha, como a uma bezerrinha; que vais lavar a minha bundinha com tua língua, que queres sentir o gosto do meu cuzinho, mesmo que eu não o tenha lavado; que queres sentir todos os meus cheiros, todos os meus perfumes; tenho uma pele de seda, que me orgulha, minhas axilas são tão perfumadas, alvas e macias, que sempre foram um dos portos preferidos de homens e mulheres. Minhas nádegas, redondas, de uma alvura impossível, o porto de chegada, definitivo, onde minhas amantes amavam brincar, afundar o rosto aspirar o pefumes de minha vulva e de meu ânus. Sou um paraíso para os meus amantes, homens e mulheres, sou um Jardim de delícias. Deus me fez assim e sucumbi ao orgulho de suas dádivas generosas. Sou bela, sou gostosa... e gosto de me dar, me ofertar. Vem, Andrea, afunda-te em mim como num pântano de delírios recoberto de brancos nenúfares sob uma lua tóxica. Ama-me e perca-te no meu verde olhar mesmérico de perigosa serpente sem veneno. Sou pura, Andrea, tenho certeza, sou inocente apesar da minha lascívia. Uma criança da Natureza, eterna guria do meu pampa, não envelhecerei nunca em minha alma plasmada na Arte, no papel, nos meus versos. Sou uma obra de arte viva, e me prosterno diante do Artista máximo que me criou. Eu não o traio, amando-me também, e a quase todas as suas criaturas. Só não amo os maldosos, embora atraia-me a dor, mas a dor da carne, da minha própria carne de tanto querer sentir-me viva. Olho-me no espelho, Andrea, sou bela, e beijo meus próprios lábios no cristal frio. Deus deve amar-me, porquê não posso amar-me? Eu me desejo.. E entrego-me a muitos, freqüentemente para sentir-me, a mim, a mim mesma, Andrea, sou uma louca, mas amo o outro também, e até me perderei em ti, Andrea, se amares meu amor... Alma



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Carta 24- Alma doida também saudosa

23/12/06

Andrea amor
Querida, acertaste, eu estava passeando mesmo com as crianças, fomos até a cascata, está um dia lindo aqui também. Chegando, corri para o computador, estou viciada também na nossa correspondência. Não entendi essa Renata. Ela é horrivel mesmo, ou uma bela garota obcecada por ti, e que caiu em desgraça? És volúvel,enjoas das tuas amantes? Estou brincando, não te sinto assim. Sinto que me amas, e agarro-me a ti. Deixo que faças o que quiseres comigo, contanto que não me rejeites depois, como fazes com a Renata, que tu deves ter comido bastante(brincadeira de novo). Sabe, queridinha, que as crianças estão tão agarrada a mim, que não me largam nem fisicamente. Parece que têm medo de que eu as deixe novamente. Elas são tão meigas... e carentes. Todas não têm pai, e duas nem pai nem mãe. Eu já te contei que um momento sublime foi quando, Pedrinho sugou meu seio como um bebê. Ah! Andrea, a vida é tão linda que chega ser triste, por isso mesmo. Mas vou ser alegre tu vais ver. E pra compensá-la pela minha longa ausência, vou te dar um banho de língua, tu peladinha e revirando como um franguinho no espeto. Tens que abrir as pernas muito muito, para eu te ver escancarada, e te lamber como uma vaca, até te mijares toda de gozo. Tenho que correr para fazer um lanche com as crianças, fica me esperando que volto pra te dar uma "chave de buceta" que vai te deixar troncha rrrrrsss. Beijos, beijos.

Alma

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Carta 25- Alma louca 

Ai, Andrea, eu senti agora tua mão dentro da minha bucetinha, remexendo lentamente, aqui dentro. Não te deixarei tirar a mão, terás de dormir com ela dentro de mim, só de manhã poderás retirá-la, melada perfumada, e a lamberás devagarinho, olhando fundo nos meus olhos. Então me sentarei na tua boca, pra acabar de escorrer meu sumo abundante, até à tua garganta. Ficarás tão escrava do meu gosto, do meu sexo, que o quererás a toda hora. Me assediarás , e me forçarás , se eu estiver relutante ( por quê eu estaria?) Me jogarás em cima de mesas, até na pia da cozinha. No leito me botarás de quatro, nua, para admirar minha conchinha, assim por trás, que parece um coração rosado, mas escorrendo uma baba cristalina . Então "cairás de boca" (como se diz), e eu gritarei de tesão, e gemerei tão alto, que quererás abafar meus gritos e sussurros, com a palma da tua mão em minha boca, enquanto me comes assim, loucamente por trás. Faremos tanta loucura , meu amor... e se me perguntares quando, quando o faremos? eu te responderei neste momento, Andrea, como uma argentina sacana: "Pero si lo estamos haciendo ahora mismo!" Assim estou, querida gozando em tempo real, na nossa relação virtual, mais real que muitas que vivi.Saio do computador sempre com a camisola manchada, e dou bandeira, por estes corredores. Aqui na clínica sei que me observam, abanam a cabeça e talvez comentem, "é louca, é ninfomaníaca, é histérica, é bonita(inha) mas ordinária... Que sei eu do que devem dizer, minha querida, há muito tempo confundo realidade e imaginação e creio que já não me levam a sério.Mas eles não sabem da amplidão de minha vida e da intensidade do meu gozo, real ou virtual. E eles me querem Andrea, ele todos me desejam , e não podem me ter, por isso alguns me forçam, e me invadem, Andrea, sei que parece loucura, paranóia, ou coisa assim, mas essa é a história da minha vida, e sei a que ponto chega o desejo. Fui estuprada muitas vezes, meu amor, e provavelmente o serei outras tantas mais. Mas o pior, ou melhor, minha querida, é que eu gostei, eu reconheço que gosto... e por isso estou aqui, encarcerada. Querem me reduzir, Andrea, eu os escandalizo. Mas o pior é que a alguns eu causo pena, e esses me parecem os mais equivocados, embora de melhor coração. Ai, meu amor, minha vida fica às vezes uma confusão, e eu não posso escrever ou pintar. Sinto-me um tanto desmoralizada, aqui, por definição mesmo, por ser uma interna, Mas os hipócritas que estão em toda parte, também aqui me assediam, e tenho medo, porque esses não me merecem, ilegítimos que são em seu desejo. Ai, Andrea, quero sair daqui! O Rôdo não vem me buscar, ele terá me traído, me abandonado? Eu morrerei, Andrea, se meu irmão me trair, se ele não acreditar em mim.Nunca acreditaram de verdade, nunca compreenderam a grandeza, a beleza das minhas obras ... Sou a louquinha da família! A "maluca do Vati". Eles acham que o Vati me deixou assim , abilolada, tomadas pelos deuses da Arte, nos quais e ele também acreditava. Ai, meu amor, nós artistas não somos compreendidos neste mundo. Nunca somos. E sofro, Andrea, queria ser compreendida , queria ser amada, pelo que sou, e não a despeito do que sou, com todo esse abanar de cabeças "compreensivos" que percebo ao meu redor. Mas eu consigo ludibriá-los, Andrea, transando contigo a milhares de quilômetros de distância, e gozando, Andrea, gozando na tua boquinha que adora o meu gosto, o meu cheiro, o perfume das minhas entranhas , da minha vagina molhada, das minhas axilas de seda. Eles não sabem de nada...
Tua alma louca


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Carta 26- Alma cadelinha

22/12/06

Oi, meu amor, agora sou tua putinha feliz adoro essa ideia, de uma putinha feliz) Eu gostaria de ser assim,uma cabecinha mais oca, menos tumultuada e profunda, quero dizer , uma simples fêmea, nas mãos do ser amado, que me fizesse de objeto. Vê, uma fantasia escandalosamente inversa à modernidade,para horror das feministas. Tenho a "fantasia da Odalisca", e penso , voltando a São Paulo, ter aulas de dança do ventre. Quero que tu me pegues contra a parede, arranque a minha roupa rasgando-a, me deixe terrivelmente pelada, me dê um tapa na cara( não muito forte)e jogue-me na cama como uma cadela, para estuprar-me com teus dedos , com tua língua, com teus seios de bicos tesos! Depois, quando eu estiver humilhada e chorando, tu mijarás no meu rosto, nos meus seios, e na minha bucetinha aberta, latejante de tanto ser metida por ti. Quero ser a tua puta, Andrea! Joga-me de bruços, come meu cuzinho, brutalmente, com o que tiveres à mão. Depois cuspa nele, deixa-me chorando... chamando por ti... suplicando por mais... Ai!Andrea... sou tua Alma


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Carta do Guilherme ao Rodo (irmão da Alma)

03/12/06

Caro Rôdo

Desolado, recebi as tristes notícias sobre a querida Alma. Não me conformo. O que pode ter acontecido? Ela foi atacada por alguém, o que está acontecendo? Se eu pudesse correria para aí para visitá-la, o mais depressa possível. Querida Alma, como puderam lhe fazer mal? E olhe que não é primeira vez, não é?, a julgar por seus escritos, suas confissões, que acompanho tanto. Porque uma moça tão meiga e bela, é assim maltratada? Que mundo é esse? Rôdo, mande-me notícias. Mantenha-me informado, por favor quero saber como ela estará quando acordar. Queria tanto dar-lhe força!...
Agradeço-lhe me escrever tão prontamente
Lhe serei sempre grato. Amo Alma como a uma irmãzinha.
Guilherme

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CARTA DO RODO PARA O GUILHERME

Caro Guilherme
Sinto dizer que Alma foi internada por nós em clínica de repouso, em Alegrete.
Encontramos nossa irmã no bosque de nossa estância, em lamentável estado. Estava com suas roupas rasgadas e apresentava arranhões no seios e nas coxas. Estava fora de si e delirava, não nos reconhecendo, a mim e à Matilde, que juntos a encontramos.
Levamos Alma de carro, esta manhã bem cedo para a Clínica onde já esteve outras duas vezes. Ela se debatia muito, em grande agitação e desespero. Era difícil controlá-la. Aplicaram-lhe o que eles chamam de "sossega leão", um tranquilizante injetável. Agora está dormindo. Vai ficar sob observação. O médicosuspeita que ela foi estuprada. As crianças estão com medo e choram muito. Que Natal passaremos! Lamento muito informar-te, porque sei que és grande amigo dela e seu dedicado colaborador.
Enviarei notícias quando ela acordar.
Rodo

PS Quem é Andrea? Alma, delirando, chamava muito esse nome. Tu sabes alguma coisa sobre essa pessoa?

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Notícias da Alma-Carta do Guilherme para Andrea

23/12/06
Andrea, tenho más notícias. Recebi um e.mail de Rôdo,que me diz que Alma foi internada. Ele e Lúcia tiveram que interná-la numa Clínica de repouso em Alegrete. Eles a encontraram fora de si, toda rasgada e com arranhões no seu peito e nas coxas. Estava delirando, não falava coisa com coisa. Eles a levaram correndo de carro, de manhã bem cedo, até a clínica. Parece que não é a primeira vez. Estão todos consternados, as crianças estão apavoradas e choram muito. Lá na Clínica ela se debatia muito, e aplicaram-lhe um "sossega leão". Agora está dormindo, e vai ficar em observação. Quando acordar vai ser examinada, inclusive de corpo de delito, pra ver se não foi estuprada, uma das suspeitas do médico lá na clínica. Mas Rôdo garante que não havia vestígios de outra presença no lugar onde ela foi encontrada.
Estou abalado, suspeito que Alma seja histérica, talvez esquizofrênica. Ela é uma mulher de gênio, mas nunca a achei muito equilibrada. Tenho muito medo por ela.
Só resta esperar. Se tiver noticias eu lhe envio. Reze por ela. Parece que ela dizia o seu nome, delirando. Rôdo me perguntou quem é.
Assim que tiver notícias, lhe escrevo.
Pobre Alma, chorei muito e não é a primeira vez que choro por ela.
Um abraço do
Guilherme



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Segunda carta do Guilherme para Andrea

23/12/2006

Querida Andrea
Rôdo me enviou uma nova mensagem, dizendo que a Alma acordou e que está muito deprimida, chora muito, dizendo que é uma "pecadora" (imagine Alma usando essa palavra!) e que quer entrar para um convento, ser freira, e penitenciar-se usando o cilício. Repete que sua mãe tinha razão, e que aqui é mesmo o "Vale de Lágrimas", e que quer ser fustigada para purgar os seus "pecados" (olhe que isso de "fustigar" não me é estranho, a julgar pelos seus últimos textos).
Eu não aguento isso! Não confio em Rôdo, e por isso mandei um e.mail para Lúcia, que confia em mim, e sendo meio ingênua, acabou me revelando que o médico examinou Alma, enquanto ela dormia, e constatou evidências e "vestígios" na frente e atrás (!!!!) da "guria", de que ela pode ter sido estuprada.
Cá entre nós, eu suspeito do próprio Rôdo, por tudo o que sei através dos livros dela.
Queria tanto estar com ela, abraçá-la, chorar com ela, minha pobre e querida Alma. O que realmente aconteceu? Você tem uma ideia, Andrea?
Aguardo resposta
abraço
Guilherme



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Carta 27 (da Clínica) - Alma perdida

23/12/2005

Andrea estou andando num bosque escuro não ouço o canto dos pássaros não há som tão triste estou nua com frio olho meus pés tão brancos sujos de sangue alguma coisa suja entrou em mim vou pra casa lá mamãe vai me lavar vai lavar minha conchinha suja
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Nota da editora
Esta mensagem desoladora na verdade não necessitaria minhas explicações. Qualquer leitor que estiver acompanhando a saga epistolar da minha pobre irmã, percebe que ela estava fora de si ou totalmente impregnada de remédios. Não consegui rever estas passagens de sua correspondência com a Andrea sem chorar. É de cortar o coração o que se passou nesse período, com a Alma atravessando seu penumbroso reino de Hades particular em busca da luz. (Lucia Welt)

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Carta do Rodo para Andrea, sobre a internação da Alma


24/12/06

Buenas Andrea

Percebo que amas Alma. Quem não a amaria? O Guilherme falou-me de ti, mas mandou-me uma carta descortez. Sempre cuidei muito bem da minha irmã, que para mim é sagrada. Alma é pura, e nada pode destruir sua pureza. Nós nos amamos desde a infância e nossa cumplicidade é total. Ela é frágil eu sei. É hipersensível, mas eu já conheço isso, essa crise que ela está passando. Ela já viveu isso antes. Ela está sendo muito bem cuidada pelos médicos, que já a conhecem e a amam também. Por todos nós. Olha, eu te garanto que logo ela te escreverá. Alma é poeta. Os poetas vivem numa atmosfera rarefeita, sufocante. Alma pira, mas ela volta sempre eu tenho certeza , tenho confiança em sua mente maravilhosa. Olha, o que não suporto é sugerirem que eu fiz algum mal à minha irmã. Eu a amo mais que tudo nesta vida e preferiria morrer a feri-la de algum modo. Eu daria minha vida por ela. Diga a àquele Guilherme que ele me ofendeu, e que não vou suportar isso. E eu que o respeitava tanto! Gostava mesmo dele. Ele a ama mais do que eu? Está louco!
Olha, guria, eu te juro que não sei o que realmente se passou, quanto àqueles arranhões nos seios e nas pernas da Alma. Fui eu mesmo que falei deles ao Guilherme e agora ele me vem jogar na cara, como se eu tivesse feito aquilo. Olha, eu mesmo pensei que ela tivesse sido estuprada, quando a encontrei. Mas agora estou certo de que ela mesma fez aquilo. Ela andava estranha, super excitada, todos nós percebemos. Mas quando ela está apaixonada ela pira! Com Aline, tu não imaginas que caso tumultuado elas tiveram! Olha Andrea, eu prometo que lhe mandarei notícias, mas tu me prometas também que se ela furar o cerco lá na clínica, e encontrar um computador para escrever, coisa que os médicos proibiram, pois já a conhecem, quando ela começa a escrever, loucura na certa lá na frente, tu não a incentivarás, prometes? Ela se empolga com seu próprio poder com as palavras, com sua própria beleza interior, que eu sei, é tão grande quanto a exterior. Olha, vamos cuidar dela. Ela é minha irmãzinha, e eu sei, ela é uma obra-prima. Ninguém é tão bonita quanto ela. Nós a reverenciamos sempre, aqui em casa. Até minha mãe, que não a compreendia, tinha um secreto culto por ela, eu sei.

Olha, escreva-me se quiser, tu me conhecerás melhor, e eu a ti.
Rôdo

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Carta do Guilherme para Andrea sobre a internação da Alma


23/12/06
Querida Andrea
É... é muito suspeito esse cara, não é? Então ele não vê como o psiquismo de sua irmã é frágil? Ela é uma flor delicada e rara, e tão apaixonada, tão vulnerável!
Parece que ela pensava que era totalmente livre, e ninguém o é. Mas será possível que ele tenha machucado ela, assim, digo, fisicamente? Que arranhões são aqueles? Nos seios, nas coxas? Será que ela mesma se arranhou? Há um mistério nisso tudo. Coisas obscuras que hei descobrir.
Olhe, Andrea, eu não confio numa palavra desse rapaz. Creio que eles transaram sim, mas que, no mínimo isso declanchou nela um imenso sentimento de culpa, eu deduzo pelos poucos dados dos e.mails que me enviaram. Mas, e se ela resistiu, e ele a forçou, digo, a violentou mesmo? É uma possibilidade escabrosa! Alma tem revelado, por outro lado, um masoquismo crescente e inquietante nas suas narrativas. Veja o segundo volume do romance "A Herança". Ali está, talvez, a chave para a elucidação desse mistério. E no novo romance "O Retorno dos Menestréis", também, a presença do seu masoquismo psico sexual é muito forte.

Pobre Alminha... Estou revoltado. Mas e você Andréa? Como se sente? Porquê pelo visto você a ama, não é mesmo? E ela deve amar você também, tenho certeza. Impressionou-me o fato revelado por Rôdo, de que, no seu delírio, ela chamava por você.
Depois de falar com Rôdo, você pode me contar o que ele te respondeu? Bem, não quero ser indiscreto, mas compartilhe suas conclusões comigo, por favor. Quanto a buscá-la ou falar com ela, no momento estou achando impossível. Pois ela está internada pela família e inacessível e.... tão longe! Mas acredito que agora ela está bem cuidada e a salvo até de si mesma, quero crer. Ah! Andréa, a mente dos poetas é portentosa e tão frágil ao mesmo tempo. Queria pôr aquela mulher linda no colo, e cuidar dela. Mas creio que você também queria, não é?

Vamos investigar juntos o que aconteceu e proteger nossa Alma, quando pudermos entrar em contato com ela. Se a conheço bem, logo ela dará um jeito de lhe passar uma mensagem. A menos que sua mente tenha mudado. Ai! não quero pensar nisso.

Um abraço
do seu amigo
Guilherme 


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Resposta do Rodo para Andrea


24/12/06
Andrea
Teu amor por Alma me comoveu. Olha, ela está bem, ela está triste, mas isso é cíclico nela. Já conhecemos isso nela desde sua infância. Isso já nos assustou mais. Quando criança quando isso acontecia em casa todo mundo chorava, pois ela comove a gente, eu sei. Sua tristeza é tão profundamente poética, que queremos resguardá-la dentro da gente, protegê-la desse frio e dessa solidão imensa que ela sente. Quando éramos guris, eu pegava o pala do Vati e a punha debaixo, junto comigo para esquentá-la durante horas, enrolados, pois eu pensava que assim eu poderia aquecê-la. Eu não sabia que era um frio e uma solidão na alma que ela sentia. Mas ela ficava encolhidinha agarrada a mim debaixo daquele pala, encimado por uma gola de pele, que ela gostava tanto. E eu, ninguém sabe Andrea, eu chorava de amor por minha irmãzinha, que parecia uma boneca de porcelana ou uma princezinha de cabelos dourados meio ruivos. A mais bela menina que se podia olhar neste mundo. Olhar para ela já fazia vir lágrimas aos olhos, até dos estranhos, Andrea. E nós só queríamos servi-la, sermos seus pequenos vassalos. E com que graça benevolente ela se deixava idolatrar, sem soberba, somente com essa candura, que é a sua marca, que ela mantém mesmo tendo se tornado uma mulher tão inteligente. Mas mesmo sendo quase uma intelectual, Andrea, não é a inteligência que nos impressiona em primeiro lugar nela. É a pureza, Andrea, a candura de uma menina. Um amigo disse que é porque ela é a própria Psiqué, tem a ingenuidade de uma deusa menina, que tudo que toca transforma em arte, e por isso purifica o olhar da gente, de todas as gentes que pousam o olhar sobre ela.
Ela vai sair, do frio, ela vai atravessar a luz, como ela diz nesses momentos. E nós a teremos de volta radiante de beleza e alegria novamente, tu vais ver.
Espera e não temas... Alma


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Carta 28 (da Clínica )- Alma atravessando a luz

24/12/2006

Andreazinha pequetita eu vou atravessando a luz eu vou sair do outro lado eu sou feliz


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Nota da editora

Apesar do evidente tom infantilizado da mensagem da Alma, eu a senti auspiciosa, tal como a Andrea, quando esta citou seu conteúdo por e.mail dirigido a mim. Alma parecia estar já saindo das "trevas"' do Hades interior em que mergulhara. A poetisa retomaria em seguida, inusitadamente, por algum tempo dentro daquela clínica, o tom usual cheio de erotismo e humor de suas apaixonadas cartas à Andrea.
(Lucia Welt)


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Carta do Guilherme de Faria para Andrea

24/12/06

Oi, querida Andrea
Foi muito agradável o bate-bapo ontem contigo no ..... Espero que para você também. Deu para perceber o quanto você ama a doce Alma. Ela deve amar você também. Percebi também que você é reservada e preserva a sua correspondêncoa com ela, zelosamente, e embora eu estivesse muito curioso, você quase não abriu nada. Mas não pense que costumo ser indiscreto e "entrão". Somente no que diz respeito à Alma eu fico assim tão curioso. Eu a observo desde 2001, e um dia escreverei sua biografia. Claro que espero que isso esteja muito distante, depois do que conversamos, e da preocupação que ambos temos, diante da nossa querida em crise tão profunda. Como está ela? Você tem dados novos? Rodo cortou comigo, porque fui indiscreto e precipitado, levantando suspeitas sobre ele. Às vezes eu piso na bola. Esta estória toda exige muito tato. Mas eu continuo preocupado e amando a Alma como no primeiro dia, em que a conheci no seu apartamento e sua visão foi como uma paulada em minha cabeça. Estou vendo estrelas até hoje, apesar de ter tido uma estória muito sofrida com ela. Só restou a memória de seu encantamento, de sua beleza e de sua alma linda. A gente nunca mais será a mesma pessoa depois de conhecer a Alma. Ela é um arquétipo vivo da feminilidade universal, uma Anima viva. E terei que sonhar com ela até o fim dos meus dias pra ser feliz com o que me restou, a mim, que tive seu corpo maravilhoso entre as minhas mãos, entre meus braços. Minha pele, meus dedos guardam a memória táctil de um prazer, de um encantamento indizível, inefável. E choro Andrea, pelo paraíso perdido daquele corpo, do seu verde olhar, dos seus lábios cheios, rosados, de uma perfeição ímpar. De seu hálito, Andrea, que me inebriava feito um vinho, a mim, que sou abstêmio por necessidade, para não me tornar um bêbado nesta vida.
Olha, Andrea, o que puderes compartilhar comigo, que lhe apresentei a Alma, faça-o, eu lhe peço, pois que agora vivo de migalhas do banquete vital da Alma, a não ser pela dádiva maravilhosa e consoladora de seus livros, que ela ainda me confia.
Seu amigo
Guilherme
desejando-lhe um feliz Natal, apesar das tristes circunstâncias deste momento do nosso Amor (in)comum



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Carta 29- (da Clínica) Tão perto, tão longe


Querida, tu não imaginas as manobras que faço para usar o computador da Clínica e entrar na Internet. Tive que subornar a atendente com meus beijos. A guria está louquinha e agora vem me oferecer em todas as oportunidades o uso do micro, mas sempre cobrando... formou- se um jogo engraçado entre nós. Agora ela me quer mais e já toca meus seios. Mas olha, não fiques ciumenta, é por boa causa. A guria é bastante bonita, mas nem sequer é o meu tipo. Bem, pelo menos ela se revelou, “desenrustiu”, saiu do armário, o que é surpreendente, não é? Olha, tem um enfermeiro sacana aqui, que me olha de um jeito, desse tenho medo.
A doutora Jensen é ótima, que mulher forte! Ela parece especialmente curiosa sobre a minha vida e sobre a minha arte. Soube que ela quer falar com o Rodo, fazer terapia juntos, nós dois, quer dizer a três. Ai! tenho medo disso. Ela já sacou que a nossa vida familiar é um tanto "desfuncional", como ela diz. Mas quem é normal neste mundo? Existe isso, pessoas normais? De perto?(Caetano). Olha, querida, eu emagreci um pouco e estou ainda mais pálida, mas parece que ainda me acham bonita apesar das olheiras. Quando minha menstruação vier tenho medo de dar bandeira. Há anos deixo escorrer. Vão pensar qe sou louca mesmo. Mas aqui, graças a Deus, não põem as pessoas em camisa de força. Andreazinha, eu sou louca? Já me disseram uma vez que o mundo não é nada disso que eu penso, que eu vivo num mundo subjetivo que não corresponde à realidade. Aliás, Solange já me dizia isso com outras palavras. Ela achava que eu era uma louca ou mentirosa. Bem, mas ela me pediu perdão na sua agonia e... eu a perdoei. Tem umas outras gurias aqui, droga-adictas e tatuadas. Tu não tens esse problema, a julgar pelas tuas cartas. Tu pareces tão normal e maravilhosamente carinhosa. Tu és um doce, Andrea, e um dia vou dar muito para ti. Vais poder fazer o que quiseres com meu corpo. E eu com o teu? Ai, deixa eu me conter, se não, daqui a pouco vai recomeçar a putaria. Estou brincando. Fica com Deus minha lindinha. 

Tua Alma
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Carta 30 (da Clínica)- Alma alarmada

25//12/2006

Andrea, meu amor, tua carta alarmou-me terrivelmente! Que queres dizer? Que não te verei mais? Estás te despedindo de mim? Mas eu te amo! Olha, foi tudo brincadeira, a atendente, foi só um charminho. Não está acontecendo nada! Olha, aqui é monótono. E está cheio de maluquinhos e maluquinhas baixo-astral. E ainda assim houve até uma festinha de Natal, com amigo secreto, veja só. É muito prosaico tudo aqui. Só a doutora Jensen vale a pena. Ela pode me ajudar! Olha, Andrea, eu sinto que às vezes te magoas, sou meio irresponsável, brinco demais, mas eu preciso de ti agora, e te vejo também fragilizada... És tão sensível, e muito só, também. Já sofro por ti, pela tua cachorrinha que está indo embora, devagarzinho, te deixando mais só. Mas eu daqui, de tão longe te ponho no meu colo, e te acaricio, que também és uma menininha, e tão romântica! Olha, Andrea, eu sei que a vida é trágica, e por isso tento me refugiar na alegria, e no sexo. Justamente por ter presente demais essa dor, que no fundo é o que me faz poeta. Mas eu te faço mal? Minha linda, temo que eu esteja mexendo com a tua cabecinha, tirando ela do eixo, tirando a tua paz... Eu sei, já me disseram sou perigosa. O Guilherme me disse isso. Que eu posso destruir ou fazer mal às pessoas, absolutamente sem querer. Só por ser assim... tão instável. Olha, eu adorei as tuas palavras, das runas, é um belo conselho, já me faz pensar. Tu me ajudas, com teu carinho, com tua maturidade, que percebo. Ai! Eu sou tão imatura! Sou uma criança estabanada. Mas não me dixe, Andrea, não me deixe, eu vou me comportar.
Olha, você diz aqui que eu faço do local que devia me curar, um... um bordel? É isso? Eu sou uma puta, Andrea? Aiiii!!! Mais cedo ou mais tarde eu sou acusada de puta. Nós mulheres não podemos ser livres? Por que então nascemos com tanta sensualidade, no corpo e até na mente? Meu corpo é exuberante em sua palidez, Andrea, e tenho desejos que não sei controlar. Mas tu não podes conviver com isso, me queres só pra ti? Eu te peço, querida, só me ames, e não renegues o teu amor por mim, que já conquistei, se não vou ficar tão só... que quererei morrer. Minha solidão, Andrea, é tão grande que vai me matar. Não sei como os outros seres humanos aguentam. Eu tenho uma nostalgia da luz, quentinha, que eu vejo num sonho meu recorrente. Mas olha, não quero preocupar-te, não falarei mais nisso. " La vie est belle, les femmes sont chéres, et les enfants faciles a faire", dizia um cínico e irônico amigo meu, velho e francês, que no fundo era muito amargo e... doce só para mim. Eu amo as coisas, eu amo a beleza, Andrea, e amo aquilo que que eu penso que somos nós mulheres em essência, só em em essência, belas, queridas, delicadas, ingênuas, princesas mesmo, enfim. Somos assim mesmo. Ninguém pode nos malbaratar. E se às vezes quero ser maltratada, é na qualidade de princesa, para me tornar mais humana, uma princesa esfarrapada, que dormirá na cabana do lenhador sobre cem colchões empilhados sobre uma ervilha que me deixará descadeirada. Não abro mão de minha realeza de mulher. Ai! Aqui estou eu delirando, novamente. Vou me apaziguar, eu prometo.
Andrea, beijinhos na tua boquinha e na tua conchinha também, que já me deste.
Alma



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Carta 31 (da Clínica )- Alma renascendo


27/12/06
Andrea querida, só agora pude entrar no micro e na Internet, pois eu não posso mais trocar esse privilégio por beijinhos e apalpadelas. Esse é o preço que temos de pagar. A Fátima, que é a secretária da Administração, que eu chamo de atendente, não queria me deixar usar o computador, se eu não a beijasse... e outras coisas. Confesso, Andrea, que me senti como uma puta, de verdade, pois senti que eu estava dando meu corpo, meus "carinhos", em troca de algo. Eu estava sutilmente me corrompendo. Fiquei com raiva e com vergonha. Como não vi antes o que estava acontecendo, com minha atitude? E ela mostrou-se má, corruptora, e foi inflexível. E eu vi por um momento, Andrea, que o mundo é mau, e que eu nunca pensava nele assim. Sou talvez uma alienada, que mora numa torre de marfim. Algumas pessoas me disseram que é porque eu nunca vejo televisão e portanto tenho uma visão de mundo romântica, do século XIX, ou, no mais tardar, do início do século XX. Da chamada Belle-époque.
Agora, minha querida, me acenas com essa possibilidade de transformar meus textos em novelas, mas modificando-os, e eu temo, tenho medo de desfigurarem-me, de eu ficar irreconhecível, embora seja tão tentador pela visibilidade, pela promoção mesmo. Não sei. Preciso pensar um pouco, e aconselhar-me com o Guilherme também, que, se não conseguiu ainda me projetar, pelo menos me preservou. Ah! Andrea, que responsabilidade sair do casulo, como uma borboleta, para voar pelo mundo. Sou uma borboleta relutante, e o mundo me apavora, essa é a verdade! Olha, lindinha, tuas cartas são inspiradoras, e eu te quero cada vez mais. Também continuo com tesão por ti, e hei de te pegar de jeito e ser uma putinha só para ti, de quem não cobrarei nada (brincadeirinha).
Sabe, eu consegui entrar no micro, com uma outra secretária, a Lina, que embora hesitante, pois é proibido, não me cobrou nada. Sempre há uma alternativa. Olha, se ponho a conversar contigo, começo a me lembrar da nossa intimidade física( que não perdi a memória) e embora ela seja virtual me deixa molhadinha. Por isso quero que voltes a beijar minha pombinha molhada e enfies o teu dedinho em mim, e remexas lá dentro para eu ouvir o barulhinho. Depois, que me sufoques de beijos, até eu desmaiar. Quando voltar a mim, farei o mesmo contigo. Tua Alma 


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Carta 32 (da Clínica)- Alma enternecida


28/12/2006

Querida, meu amor, tu me enterneces, és tão doce... olha eu não vou te fazer sofrer. Não mais do que os amantes sofrem por simplesmente amar. As dúvidas, incertezas, suspeitas, que são o sal da relação, vou tentar minimizar para ti, meu amor, se for possível. Mas minha alma é inquieta, e esvoaça feito uma borboleta (às vezes como uma mariposa, concordo). Mas que será de mim sem ouvir a tua voz, às vezes como da minha própria consciência, meu grilinho falante?
Olha, minha linda, estou me tratando. A cada nova sessão com a doutora Jensen eu sinto que melhoro, que vou voltando à razão. Ela é uma mulher madura, bonita ainda, de um jeito muito sério e não penses que eu sequer pensei em seduzi-la. Ela está mais para uma mãezona séria, embora eu perceba um grande carinho debaixo do seu ar austero. Ela me disse na terapia de hoje cedo: "Alma, tu pensas em ti mesma como uma personagem, a principal personagem de um livro teu, como uma saga que projetaste com um fim trágico. Mas não tem que ser necessariamente assim. Pensa em ti como uma futura senhora famosa, cercada de seus livros, jornalistas, entrevistas. Uma longa vida produtiva. A juventude e a beleza física não são tudo. E muito menos para embasar uma obra. Tens tanto a dar! Necessitas a a profundidade da maturidade verdadeira, que é o único que ainda te falta. Tens uma alma profunda que quer nadar no raso, na superfície da carne onde mora a beleza física. E no entanto és um dos maiores talentos literários que me foi dado ver. Tua obra tem encanto, é aliciante, e não consigo parar de ler. Mas como tenho nas mãos a autora que está sob meus cuidados, eu leio as entrelinhas do teu texto, analiticamente, e vejo aonde queres chegar. Afasta-te desse caminho, Alma, que vai dar num abismo. A juventude e a beleza passam. Mas a vida é muito mais longa! Pena eu não poder contar-te a minha vida, pois tu quererias transcrevê-la nos teus livros, já te conheço."
Rimos juntas, e ela segurou a minha mão com enorme carinho. E eu pensei em como gostaria que minha mãe tivesse sido assim, admirável, sábia, com quem eu pudesse aprender a viver, que foi a única coisa que meu pai deixou de me ensinar.
Andrea, recebi um e.mail do Guilherme, que naturalmente também está preocupado comigo. Entre outras coisas ele disse que não devo mostrar a ninguém esses Contos Proibidos, e devo meditar melhor sobre eles. Os Contos Secretos já estão na medida, no limite do bom gosto quanto ao erotismo. Se eu ultrapassar a medida(ele nunca leu os Proibidos), eu não mostraria para ele) posso me queimar, comprometer a minha obra. Ele é uma espécie de agente literário meu. Mas está mais para crítico ( leia os seus lindos prefácios) e parece que ele não tem muita penetração no mundo literário e jornalístico, pois é um artista plástico, e poeta que descobriu tardiamente a sua veia (os seus cordéis me encantam).
Além disso, percebo como esse homem ainda me ama. Eu o fiz sofrer muito, eu sei. Mas foi por ter-me afastado dele... para o seu bem. Para que ele pudesse voltar-se novamente para a doce Eliana com quem já vive há doze anos.
Eu preciso ter paz, para escrever, para pintar e poder amar também.
Eu sei que às vezes eu piro, e atropelo as pessoas que têm seus próprios problemas para resolver, como tu, querida, que sofres tanto coma tua cachorrinha adorada, que está morrendo, e que é como uma tua filha. Mas, olha, eu penso em ti, sim, com carinho enorme, e com amor. Quero dar muitos beijinhos nos teus olhos, e nos teus seios. Na tua boca também, enquanto dizes que me amas, que me queres, apesar de eu ser menina "levada da breca" (que expressão mais antiga!)
Fica em paz, querida, mas com o meu amor, não o renegues
Tua Alma 


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Carta 33- Alma (sem assunto)


26/12/2006

Querida , desculpa-me, tu falaste mini série e filme, e não novela. Mas eu fiquei tão excitada e temerosa com essa perspectiva que me confundi. Mas antes de qualquer coisa vou pedir para o Guilherme registrar meus textos na Biblioteca Nacional, pois me falaram de um quid pro quo que está conhecendo com a Globo, com uma novela do Sílvio de Abreu,que ele teria plagiado de um livro publicado de uma escritora que o está acionando. Tenho muito medo que roubem minhas ideias, meus temas, que são tão meus. Meu amor tenho que sair correndo daqui, digo desta secretaria, pois vem vindo gente. Se um médico, ou mesmo a doutora Jensen me pega...

beijos, beijos


Carta 34- Alma que ainda sofre


27/12/2006

Andrea, meu amorzinho. Que podemos fazer conosco?... Estamos tão distantes. Estou no meio do pampa, perdida numa Clínica, perdida do meu mundo, longe das minhas crianças, longe de tudo o que eu amo. Rôdo veio me visitar ontem, nem te contei. Chorei muito no seu ombro. Ele não pode fazer nada. Ele me pôs aqui. E ele estava certo. Eu estava louca. Eu me rasguei toda, eu quase o comprometi... Eu não sei, Andrea, por quê sofro. Eu juro que não sei. Eu amo tantas coisas, e as tenho, Andrea, porque haveria de sofrer? Por quê, se tenho tudo... quase tudo? Talvez sofra pelo que não tenho: uma mãe, leitores numerosos, um filho saído das minhas entranhas, um livro completo de meus poemas em todas as livrarias do mundo. Não, eu não sei porque sofro, Andréa. Sofro pelos amores que não apertei nos meus braços, ou que me escaparam deles? Pelos intangíveis amores? Ai, Andrea, a dor do mundo, será ela que me faz sofrer? Eu queria ser sempre alegre, feliz, e tenho tudo para isso. Não sei o que é inveja. Não invejo a felicidade dos outros, só queria a minha própria, mas precisava saber no que consiste: um orgasmo final, que me adormecesse para sempre? Uma penetração que me dissolvesse nos braços do outro, e me fizesse dormir afinal como uma criança nos braços de um pai carinhoso e forte? Um seio farto, cheio de leite que minha boca recusasse, de tão farta. Uma vagina acolhedora e bela, que eu pudesse sugar, sentindo o gosto de um perfume semelhante ao meu. Um pênis enorme, túrgido, potente, que me subjugasse, empalando-me como uma mártir, ou espetando-me como uma borboleta numa caixa, para fixar para sempre minha beleza. Ai, Andrea, tenho sede de infinito, de plenitude. De amor sem fim. Eu tenho medo, Andréa, tenho medo de ser culpada de alguma coisa, de não ser inocente como eu pensava, de ter perdido meu paraíso, por minha própria culpa. Eu queria ser criança, antes daquele dia da macieira, antes do escândalo do mundo. Antes de terem conspurcado o meu amor infantil. Andrea, eu sofro e tenho vergonha de sofrer, pois sou filha da alegria, meu corpo é harmônico, é belo, não devia querer o sofrimento, eu nem sequer desgosto do sangue que escorre de mim, naqueles dias... por que deveria sofrer? Eu adoro o sexo, porque deveria sofrer? Ai, meu amor, eu me “desentendo”, eu não me compreendo... e por isso estou aqui, nas mãos de uma doutora benevolente, que me estuda com atenção crescente, borboleta espetada em sua coleção preciosa de belos sofredores.
Mas não chores, Andréa, se me amas, e beija meus lábios em teus sonhos, que eu...eu acordarei beijada e menos infeliz
Tua Alma 



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Carta 35 - “do Otto Rank"



Andrea, meu amor, como estou sofrendo de estar longe de tudo, dos meus queridos todos, das minhas crianças lindas, que são as flores da minha vida, assim como os meus amores. Queria todos no meu abraço, junto do meu corpo, sentindo o calor e a palpitação de cada um nos meus seios... Hoje chorei muito, de novo, na terapia, e a doutora Jensen, foi novamente carinhosa, abraçando-me. Ela diz que eu estou no caminho certo, pondo tudo para fora. Ela é uma adepta de Otto Rank, graças a Deus, e crê que a artista em mim é o
que me salva, por ser, por definição, o contrário da neurose. Ela sabe que o artista se aceita, e vai além: se auto-glorifica, enquanto o neurótico autocrítico permanece paralisado, na sua cobrança de si mesmo, e nada cria.E sua admiração por mim é confessa. Por isso ela pode me ajudar, pois trata de investigar comigo a raiz da minha dor, que apesar de tudo não me impediu de criar, de ser criativa e de amar o mundo e as pessoas, tantas pessoas. Ela diz, que eu sou um caso gratificante para ela, pois não sou um caso comum, e que acredita que se conseguir atingir essas raízes e ajudar-me a arrancá-las, nem por isso vou parar de fazer arte, vou desabrochar mais ainda. Abençoada doutora Jensen, eu beijo suas mãos! Mas ela não sabe, a querida doutora, que eu a engano quanto aos seus remédios,
que eu não engulo para que não matem o meu tesão, sem o qual não vale a pena viver. São antidepressivos, mas brochantes. Cuspindo escondida essas pílulas, meu tesão voltou, e qualquer dia ataco a doutora (brincadeirinha).
Andrea, está tão difícil entrar na Internet, e a Fátima continua o seu
assédio, fazendo-me declarações sussurrantes na minha orelha, que não me incomodariam se não tivessem uma entonação um pouco acafajestada, como homens vulgares costumam fazer. Não me admirará se, de repente, ela abrir a braguilha de seu jeans e tirar um avantajado pênis para tentar me invadir. Creio mesmo que seu clitóris deve ser enorme, como o da Vânia, que literalmente me comia com ele: conseguia colocar aquela cabecinha túrgida,
como um pintinho de menino, na "portinha" da minha vulva, e era tão terno e... tão frustrante para ela, que não conseguia ejacular por ali! Ai! os meus amores, onde estão?" "Où sont les neiges d'antain?" Tenho uma nostalgia, Andrea, de tudo, e de ti, meu amor desconhecido... Tua Alma melancólica, saudosa... até de si mesma

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Carta 36 - do computador 

Andrea querida, pressinto que terei cada vez mais dificuldade de acesso ao computador. A própria doutora Jensen, está me cerceando. Eu percebo que ela não quer que eu me comunique com alguém fora daqui. Ela diz que eu preciso me acalmar, e me dá remédios que eu finjo engolir e depois cuspo. Eu sei que ela quer retirar minha libido, cortar o meu tesão. Vê, Andrea, em que mundo
vivemos, como querem reprimir as mulheres, todas as mulheres livres, fogosas, que se orgulham de seu corpo e de seu desejo? Aquela Fátima é uma que me cederá o computador se eu der pra ela. Ai, Andrea , não permitirás, por uma boa causa? Para que continuemos nos encontrando? Tua Alma infeliz, que anseia voltar para casa, anseia por brincar com as adoradas crianças, suas mãozinhas no meu rosto, sua boquinhas na minha. Ai Andrea, eu morro...

Alma

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Carta 37 - do "amor sublime"



Andrea

Meu amor sublime, que belo é o encontro de nossas almas! Mas como começamos tão cheias de paixão erótica, não quero abandonar essa face do nosso relacionamento que nos dá tanto prazer, como mulheres livres que somos. Eros é igual a Amor. E sexo também é espírito. Por isso posso dizer que nosso amor é espiritual, e cheio de sexo, ardente. Nas minhas noites solitária nesta clínica, este é o meu consolo : sentir o teu toque , os teus beijos, o teu sexo colado ao meu. Eu o sinto claramente, e fico molhadinha, com as nossas maravilhosas performances no leito virtual que nos coube. Creio que é assim também contigo. Olha , que prazer me dás, e que te dou! Mesmo à distância, eu posso tudo, faço proezas com nossos corpos ávidos, enlaçados. Veja e sinta como eu sugo tua linda vagina rosada para gozares em minha boca. Olha, querida, eu gosto que faças xixi nos meus lábios, no meu rosto, descendo pelos meus seios teu jorro dourado, para encharcares meu pequeno tufo de pentelhinhos louros, para banhares minha bucetinha trêmula de prazer, cujos lábios eu abro com meus dedos, para receber quentinho o teu mijo... dentro de mim. Ai, Andrea, quero tudo de quem amo, toda a absoluta intimidade: quero ver-te abrindo-te na frente e atrás para conhecer tuas mucosas rosadas, por dentro. Ah! Andrea, tudo o que faremos, quando nos encontrarmos! Terás que internar-me novamente, pois ficarei tão louca de ti, do teu corpo devassado por mim, como o meu por ti... que terão que internar-nos, as duas, ninfas ... maníacas. O mundo que nos aguarde. Olha, o Mundo: ele deveria um dia ter acesso a esta nossa correspondência, nosso romance epistolar-virtual, que o espantará. Somos loucas, Andrea, somos doidas de amor! Dorme comigo, amor,com tua mão na tua conchinha molhada dos meus sumos, e do meu xixizinho carinhoso. Ama-me , meu bem, e não duvides. Tua Alma


PS Minha Andrea, amorzinho meu, eu existo, eu existo, e estou já dentro de ti, tão forte, que existo duplamente. sou afortunada, Andrea , de ser assim amada, como sinto que me amas, com tão pouco ou nada palpável que te dou. Amas-me pelas minhas palavras, pelo meu espírito que te alcança através deste veículo maravilhoso, virtual, que é puro espírito. A arte sempre foi isso, e eu nunca diferenciei minha vida de uma obra de arte. Chegou alguém. Tenho que sair, volto logo Alma

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Carta 38- Alma prisioneira 

Andrea, querida, estou desesperada, não aguento mais permanecer aqui nesta Clínica. Sou uma prisioneira, essa é que é a verdade! Querem me dopar, querem reprimir minha libido, me castrar. Já perceberam que não engulo as pílulas. Se preparam para me forçar, para me fazer engolir à força. E ainda por cima corro perigo, com aquela Fátima, e até com o enfermeiro Dimas, um mulatão, que me olha de um jeito que não me engana. Ele é enorme, e me parece perigoso. Seu desejo é visível, nos seus olhos, no seu corpo. Eu não
vou ficar aqui esperando pelo pior. A doutora Jensen que me perdoe, mas vou cair fora. Vou fugir daqui, hoje, ao cair da noite. A Clínica fica num sítio, meio afastada da cidade , é difícil escapar daqui, mas estamos perto da estrada, e e vou tentar uma carona de caminhão. Não tenho roupas , vivo numa espécie de camisolão, e calçando chinelas. Mas eu vou assim mesmo, já tenho tudo planejado. Assim que conseguir escapar e atingir um posto ou
coisa parecida vou tentar entrar na Internet para lhe por ao par dos meus passos. Tenho medo, sim, de tudo isso, mas não resta outra alternativa. Rôdo me abandonou, todos me abandonaram, só tu, Andrea, me acompanhas com teus olhinhos e teu coração, aí, de tão longe.
Reza por mim, meu amor, porque lá vou eu, ao encontro do mundo, para não morrer num cativeiro. Tu me compreendes, sabes que preciso fazer isso. Sou uma borboleta viva, e não uma daquelas espetadas, de coleção. Deixarei um bilhete para a querida doutora Jensen, agradecendo por tudo, por seu carinho, até por seu amor. Andrea, um dia aportarei nos teus braços, mas preciso dar um jeito de chegar na estância, e ver secretamente as crianças, antes de partir deste sul, que me maltrata. Ama-me, torça por mim,
espera-me,
tua Alma fugitiva

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Carta 39 Alma caroneira

Andrea querida
Estou na aldeia de S.R. Desci de um caminhão que me deu carona, depois de muitos percalços. Cheguei exausta, mas pelo menos eu estou alimentada, pois o motorista, o Rogério, me pagou um jantar num boteco de estrada. Venho causando reboliço pelas estradas e trilhas deste Sul. Tenho somente medo de ser alcançada antes de chegar na estância, e qualquer aproximação súbita me causa desconfiança e apreensão.Daqui desta aldeia onde me deixou, o Rogério com seu caminhão subiu para o norte, pois tinha feito um imenso desvio na sua rota, só para me deixar numa aldeia mais próxima, relativamente, da minha estância.As pessoas são solícitas comigo. Só estranham o meu camisolão, que não é propriamente elegante, mas o meu bom caminhoneiro me cedeu uma cordinha para amarrar na cintura, e ficou melhor. Estou descalça, pois aqueles chinelos eram infames, e joguei-os pela janela, na estrada
(espero que não sirvam de pista). Não tenho um tostão, mas as pessoas são muito boas, e creio que não me faltará quem me dê comida e um copo d'água.Tu deves estar apreensiva, eu sei, mas não te preocupes, eu te peço, minha linda. Sou obstinada e hei de chegar na estância para abraçar meus anjinhos.
Pretendo me esgueirar no casarão e encontrar-me escondida com eles.Tenho uma  rota interna na estância para realizar isso. Não quero que Rôdo me veja. Não confio nele. Não neste caso, pois ele me deixou na Clinica e sei que quer que eu volte para lá. 

Tu deves estar perguntando como e onde consegui um computador. Estou na casa de um jovem professor primário, o Saulo, que conheci num armazém, assim que apeei da boleia. Ele puxou conversa comigo, e acabou me levando para sua casa, para eu tomar banho e usar o seu computador. Ele é um amor de pessoa, um jovem muito bom e puro.Querida, houve momentos difíceis na fuga e na primeira hora na estrada, pois não peguei o caminhão certo logo na primeira. Quase fui estuprada. Algum dia te conto. Mas agora estou bem. Deus me ajudará pois estou numa tarefa e jornada de amor. Andrea, não quero estragar  de nenhum modo a sua passagem de ano. Não sofra por mim, não fiques apreensiva, pois estou melhor agora. Quero que curtas o teu réveillon, normalmente. Apenas ama-me, manda-me o teu amor, minha santinha tatuada, e estarei bem, nesta trilha atual que me coube por destino.
A vida é um mistério... e é linda. Hei de vencer.
Tua Alma peregrina
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Carta 40 –de Saulo e o Tarot


Andrea querida
Dormi uma horinha na cama do Saulo, eu estava exausta. Mas não precisa ficar alarmada, o Saulo é gay, e é uma graça de pessoa. Ganhei um grande amiguinho. Ele ficou comovido com minha história e faz questão de me levar no seu carro até à estância, olha que amor! Ele se diz muito gratificado de participar desta história em pleno último dia do ano. Ele é todo místico, e está fazendo uma porção de ilações. Tirou minhas cartas no Tarot, e foi incrível, depois te conto. Mas o que quero lhe contar antes de partir para essa etapa final de minha peregrinação, é que sonhei contigo nessa soneca na cama de Saulo, e estavas muito triste, pois tua cachorrinha, a Branquinha estava morrendo no teus braços, e correste para um hospital veterinário, e sofreste muito. Acordei triste com isso, por ti. Será que isso está acontecendo no teu último dia do ano? A velha Branquinha não passará deste ano? Saulo está me chamando. Tenho que partir.
Amor Alma
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Carta 41 –da chegada

Andrea, meu amorzinho, eu cheguei. Eu estou bem, agarrada nas minhas maravilhosas crianças. Foi um chororô geral. Um festival gaúcho de lágrimas de alegria. Só faltou o fandango. Olha, meu amor, estou também tão aliviada, de estar aqui novamente, e no primeiro dia do ano! Mas se não faço o que fiz, eu teria passado o ano presa numa clínica triste, e... ameaçadora, Andrea. Qualquer hora te conto.
O carro do Saulo nos trouxe até aqui a duras penas, quase desmontando pelo caminho, e isso tudo deu muita aflição. Parecia que eu não chegaria a tempo... de quê? De talvez não encontrar as crianças, pois Lúcia confirmou, como eu imaginava, que estava cogitando de voltar para Alegrete com elas, até para ficar mais perto de mim, lá na clínica. Ia ser um terrível desencontro. Cheguei dando espôrro no Rôdo, coitado, mas ele, com lágrimas nos olhos de me ver bem, me abraçou tão profundo e apertado que me
desarmou, e desmanchei-me toda. Agora não saio dos braços das crianças e já fomos passear no jardim e nos coroar de flores, como outrora. Vou levá-los para agradecer defronte ao altar da minha macieira. Ah! Andrea, a vida é uma saga, não sei como as pessoas não percebem. Esta noite dormirei no meu leito com a janela aberta, olhando e olhada pelas "imperecíveis estrelas", a Via
Láctea toda, e sob a égide do querido Cruzeiro do Sul, e do meu Negrinho do Pastoreio, peregrino como eu, atrás de sua rês, pois ele me protegeu, e me trouxe de volta ao lar sã e salva. Se abrires este e.mail ainda hoje , agradeça às estrelas, e manda um pensamento como eu,à Rafisa, onde quer que ela esteja, para que venha no seu carroção, por estas estradas, despertar-me ao amanhecer, batendo na minha janela, para desvendar o meu presente. A vida é um mistério e se confunde com o amor, minha Andrea. Ama-me e sonha comigo em teus braços.
Tua Alma


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Carta da Alma para o Guilherme de Faria



Olá querido
Estou de volta à estância depois de muitos percalços, tu sabes que estive internada, o Rôdo te contou. Mas tu já me conheces e pensas certamente que sou mesmo louca, não é? Depois de tudo o que te fiz sofrer... Mas olha, Guilho, eu não me esqueço de quanto fui feliz nos teus braços enquanto durou. Tu me ensinaste tanto! Às vezes ainda sonho com aquelas nossas longas noites de loucuras, em que me possuías de modos que eu desconhecia e que nem sabia possíveis. Ninguém me penetrou assim, atrás, como o fazias, com tanta habilidade. Pensavas que eu podia esquecer tudo aquilo? Tenho saudades das nossas noites, das nossas "lambanças". Quem sabe um dia ainda poderemos repeti-las, numa outra vida. Até lá cuida da minha obra para mim, que és tão devotado, até desinteressadamente, pois sei que amas e acredita na minha
literatura, tanto quanto amavas o meu corpo que não hesitei em te entregar.Sabes que estou amando a tua amiga Andrea, que nunca vi, mas que conheço por dentro, e é tão linda! Ela é uma digna interlocutora da Alma, escreve mais como poeta do que como jornalista e adoro nossa correspondência. Mas creio que a faço sofrer... Bem, você sabe, é involuntário. Eu amo todos vocês, meus amores, que me tiveram nos braços e a quem igualmente abracei em minha nudez desmesurada e insaciável. Eu nunca me esquecerei de vocês, lá nas estrelas!
Até um dia... Tua Alma

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Carta 42- Viva la Vida 



Andreazinha gostosa, adoro que sejas tão tesuda quanto eu. Já imaginou se fosses uma pudica reprimida, como tantas conterrâneas nossas? Bem, não iater jogo. E quando me dizes tudo o que queres fazer comigo, eu começo a escorrer, e às vezes corro para o banheiro para me masturbar imaginando como me comes, como me fodes, até eu ficar jogada como um "farrapo" (uma
farroupilha, no nosso caso rrrrsss). Então gostaste do meu poema para ti? É um dos primeiros poemas da era digital, que celebram o amor erótico-virtual, quero crer. E o mundo vai saber disso, um dia, se tu deixares. Passaste o ano novo tranquila, apesar da pobre Branquinha tão dodói, pois soubeste escolher o filme certo: a história de uma alma, parecida comigo, em versão judia. Pena
que ela morra tão tragicamente, conforme contam no final. Bem, mas a Alma não morre tu sabes , e estará sempre dentro do amante, da amante, até o fim dos seus dias e mais além, pois estou convicta da realidade das reencarnações.
Quanto a mim, já estou dentro de ti , como tu dentro de mim, para sempre.
Quando fores velhinha te lembrarás da louca Alma, que foi quem mais te fez gozar... e sonhar. As pessoas, Andrea, estão ficando muito comezinhas e cada vez mais prosaicas, quer dizer, "terra-a-terra", e pensam que a poesia é um gênero literário para agradar alguns, em geral "desocupados". Não sabem que é a essência do mundo, a visão mais aguda e desveladora do real (não vou citar Novalis mais uma vez , que já o fiz e seria redundante citar a fonte deste pensamento).
Queres leveza, minha linda, eu te farei voar de tesão montada em
minha face com tua vagina colada à minha boca, escorrendo teus fluidos adocicados até o fundo da minha "garganta profunda", mas quereria que faças xixi na minha boca, porque sou muito louca e gosto de lances radicais na cama. Sabe, com a Vania eu fazia coisas mais loucas ainda do que com a Aline, algumas que nem tenho coragem de te contar, e olhe que sou desbocada, não sou?
Meu amor quero que fales tudo o que quiseres fazer comigo, vamos ser leves, neste novo ano, que já te fiz sofrer muito (para não me
esqueceres (brincadeirinha). Olha,querida, quando saio do buraco, passo muito tempo sem cair nele de novo.Não sou uma guria triste, isso não, não me confundam! Sou uma poetisa da Alegria, da "alegria mais profunda que a dor".
Viva la vida! como dizia a louca e doce Frida (que sofreu e amou tanto). Eu amo a vida, Andrea, tanto que às vezes penso que vou estourar. E queria ser possuída , fodida pelo Mundo, pela própria Vida, que se for uma fêmea deve ter um clitóris grande como um pênis.
Que viva la fodedora!
tua Alma
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Carta 43 –“Belle-Époque”


Minha tesudinha, eu reli teu e.mail, e reparei que me queres de pé, tu chupando-me ajoelhada, e enfiando-me os dedos por trás. Uau! Vou segurar tua cabeça colada à minha vulva num grande beijo vaginal. Ah! Andrea, não imaginas que perfume tem a minha vagina! Podes imaginá-lo, a esse perfume? Aline ficou viciadinha nele, bem como Vânia e Laís. Mas as mulheres, Andrea, não são na sua maioria, como nós. Elas são umas tontas fúteis e consumistas.
E não dão ao sexo o valor que ele merece, isto é, o sexo pelo sexo. A maioria das mulheres usa o sexo para outras coisas. Rôdo, que é um tanto cínico, uma vez disse, ainda muito jovem: "Sabe, Alma, as outras mulheres não são como tu. Elas não gostam
verdadeiramente de sexo, e só o fazem por amor ou por dinheiro. " Na ocasião eu ri muito, e talvez não tenha entendido bem. Agora acho que ele tem razão quanto à grande maioria. Sabe, quando mais jovem, eu tinha muita fantasia quanto às prostitutas, e imaginava-me como uma, vestindo espartilho e cinta-liga, como aquelas da belle-époque, ou as desenhadas pelo Guilherme. Em suma,.eu glamourizava como ele as pobres putas. Mas Andréa, a fantasia é persistente, e eu, nos meus sonhos quero às vezes que me trates como uma puta, ou pelo menos como "a putinha feliz", que será usada e abusada por ti. Podes me maltratar um pouco. Quero que enfies dois dedos dentro do meu cusinho quando enfiares a
mão por trás. E se eu estiver um pouco suja não te importarás, porque me amas tanto, que tudo o que vier de mim, será sagrado para ti. O louco e delicioso Salvador Dalí, escreveu nalgum lugar, em suas digressões místico-surrealistas: "no santo tudo é santo, e até o buraco do cu é sagrado." rrrrrsss
Andrea, meu amorzinho,quando começo a divagar eu não paro. Sou talvez uma doida monologante. Será que sou uma "doidivanas"? Minha mãe usava essa palavra arcaica quando queria me humilhar. Mas para mim, na minha imaginação, soava como algo romântico, assim como uma Ofélia coroada de flores vagando , vagando num bosque até se afogar. Eu imaginava que queria morrer assim. Bem , lá vou eu, de novo, se começo não paro...
Olha, gostozinha minha, imagine uma coisa bem louca e escabrosa para fazer comigo com meu lindo e pobre corpinho muito branco, e depois me conte tudo, sem pudores, sem peias, para eu gozar, imaginando. Fica com um beijinho meu em cada um dos teus buraquinhos melados.
Tua "doidivanas", tua putinha pelada e sem vergonha,

Alma

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Carta 44 - Danaé ou Alma no banho dourado



Minha putinha, gostaste da tua crise mística, não é? Pois ainda não viste nada. Já transaste antes no banheiro? Com Aline, fazíamos tanta lambança, que precisava ser no banheiro mesmo. Eu tinha um tapete fofo, de toalha, bem grandinho que dava para gente deitar e rolar. Nós duas peladas, claro, eu pedia para ela ficar de pé sobre mim deitada no tapete, e ir se acocorando lentamente, mirando a minha boca,e então começava a fazer xixi nos meus lábios até encontrá-los e colar-se como uma ventosa, molhada, linda, ensopada. Eu quase me afogava, claro, e depois tínhamos que lavar o banheiro inteiro, que ficava todo xixizado. Mas, o curioso, é que não era mesma coisa
fazer isso no box, onde seria tão fácil deixar correr a água, e lavar todo o xixi e nossos corpos. São os mistérios do chamado "banho dourado". A urofilia , ou urolagnia, como se chama cientificamente essa prática, está ficando cada vez mais difundida e consagrada no mundo todo. Eu já a praticava por instinto, desde a infância, e o fiz primeiramente com o Rodo(vou tirar o acento dele também). Tu já fizeste isso, minha Andreazinha, gostas de xixi? Às vezes acho que és mais reservada do que eu, e não "entregas o ouro", facilmente. Mas sabe, quando estamos apaixonadas, parece que queremos engolir o parceiro ou parceira, inteirinha, e suas secreções nos parecem deliciosas, afrodisíacas e nos excitam ou nos enternecem. Trata-se de fetichismo, eu sei, e é delicioso.Imagino-me fazendo essas coisas contigo no banheiro.Queria fazer um "sessenta e nove" contigo, bem xixizado. Tu não imaginas o que é soltar-se,isto é, soltar a bexiga quando estamos assim entregues, coladas, rolando. É alucinante. Olha, desconfio que o famoso mito de Danaé, de Zeus vir possuir essa princesa mortal na forma de uma chuva de ouro, na verdade era isso. Matei a xarada. Zeus nunca me enganou. Danaé, muito menos.
Querida, faz um xixizinho para eu ver, de leve, para eu por a mão na tua bucetinha enquanto fazes, para eu sentir quentinho, e depois cheirar e lamber, antes de cair de boca para lavar-te com minha língua, e te deixar prontinha para sair do banheiro feminino e voltar a dar ordens, distribuindo sorrisos entre os fregueses. As vidas ocultas os "segredos de alcova", e os de banheiro, são o sal da vida. A vida dupla, então é irresistível depois que a conhecemos. Mas isso é outro capítulo.
Fica com o meu cheirinho, misturado ao teu, e dorme sonhando loucuras com a doida Alma... "a princesa da chuva de ouro".

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Carta 45 - da Terapia


Amada, tu és doce e objetiva, ao mesmo tempo. Gostaria de poder deixar a terapia , deixar tudo e entrar no mar contigo, sob "as imperecíveis estrelas", mais que sob o sol, que temo, pela minha brancura. Rodo diz que tenho que levar a sério o tratamento, e aproveitar ao máximo este imenso privilégio: a doutora aqui em casa. Todas as tardes, fazemos terapia conjunta , a três, e a doutora, que já sacou a muito tempo o que se passa entre nós (Rôdo e eu), está conduzindo a coisa no sentido de convencer-nos do perigo emocional e psicológico que é desafiar um tabu milenar como esse. Ela acha que isso me fez e faz muito mal, e que eu não estou consciente do quanto. Rôdo não gosta de tocar no assunto , claro, e ameaça interromper a terapia dele. Eu também não estou convencida de que o meu amor por Rodo me faça mal, e se tiver que renunciar a ele, digo, ao amor físico mesmo que temos desde a infância, sinto como senão fosse sobrar nada ou quase nada que ainda me sustenta. Produz muita dor ouvir: "Tens que deixar de te deitar com teu irmão. Isso é proibido!", que é o que em resumo a doutora está fazendo, ou querendo. Hoje, eu disse a ela "Sim, doutora, mas só se puder me deitar com a senhora, e Rodo também". Ela ficou pálida, e retrucou: "Alma, tens que levar essas coisas a sério. Tu brincas com coisas perigosas que já destruíram pessoas mais fortes do que vocês. Não é pela sociedade que lhes recomendo que renunciem ao aspecto físico desse amor, mas pela herança do tabu, que está no inconsciente afetivo de vocês, e que faz uma cobrança que vocês não percebem, que é corrosiva, e que produz, talvez, essa dor que vocês atribuem a outras causas".
Como vês Andrea, querida, somos um caso complicado, e não podemos fazer a doutora aceitar-nos como somos. O que afinal, esperávamos? Uma vaquinha de presépio. Somos difíceis de engolir desde a infância, e isso pode ter matado minha mãe, e até mesmo, indiretamente, minha irmã Solange.
Olha tenho que sair, mas falo contigo amanhã. Enquanto isso, viaja comigo em teu coração e nos teus sonhos no ônibus (ou automóvel? nesse caso, se fores dirigindo não sonhes nem acordada comigo). Quero que sonhes lá à beira da lagoa, sob as estrelas, com meu beijo nos teus seios, e ali, no teu clitorinho.

Tua Alma 


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Carta 46 -da Doutora

Andrea meu amor
Andei meio perturbada, e hoje as crianças foram embora, com Lúcia, de volta a Alegrete. Por minha culpa. Lúcia acha que eu estava fazendo mal às crianças, que estou desequilibrada, e que isso assusta os guris. O pior é que sei que ela tem razão. A dor da separação me prostrou por muitas horas. Mas a doutora Jensen está aqui, o Rôdo a chamou, e ela veio. Sem ela por aqui eu não ia aguentar. Ela é sábia, forte e doce, ao mesmo tempo. E eu a amo. Ela me ama, também, como sua filha. Não é incrível, isto ter acontecido com a minha terapeuta? Em geral os terapeutas são tão distantes, tão pouco afetivos, tão técnicos! Mas olha,eu não fiz nada para seduzir a doutora não, hem? Nem penses nisso.A doutora quer fazer duas horas diárias, de terapia pela manhã e duas hora à tarde, todos os dias. O resto do tempo pode ser para os prazeres da mesa, os passeios, piscina, cachoeira, bosque, pomar, e até cavalgadas se ela quiser. A doutora parece estar deslumbrada pela estância, pela natureza, a beleza de tudo aqui. Ela e Rôdo se deram muito bem. Ela perguntou se Rôdo não quer fazer terapia individual com ela, de manhã, e conjunta, comigo à tarde. "La Jensen" está no pedaço e vai dominar tudo aqui. É o que estamos precisando, desde a morte do Vati tudo aqui estava à deriva. A doutora diz que precisa tratar a mim e Rôdo juntos, e começo a perceber porquê. Ela chama isso de codependência.
Querida, e tu, como estás? E a Branquinha? coitadinha. Tu voltaste com a tua ..... Que nome incrível o da tua guria! Ela é gostosa? Como eu? Conta-me um pouco se puderes. Talvez tu tenhas mais pudor do que eu, não é? Mas eu gostaria de saber como é que tu a comes, como transas com ela, as coisas que fazem juntas na cama. Vamos, gostozinha, conta-me tudo. Vais descobrir os prazeres da confissão desabrida, na qual sou mestra. Por falar nisso, a doutora ainda não viu nada, creio que o cabelo grisalho dela vai acabar de ficar branco, comigo. Será que ela vai aguentar tanta loucura que é a minha vida, sem me repreender? Bem, essa não é a função dela, repreender, eu sei. Vou falar de ti também, amanhã mesmo, minha doida amantezinha virtual.
Andrea, estou com saudade da tua... Pede à.... pra dar uns
beijinhos e umas lambidinhas nela, por mim, tá?
Beijos no teu... também. Amanhã falo contigo. Tua Alma.

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Carta 47 -Alma Nua 


Andrea querida, tenho saudades e tesão por ti. Não quero te deixar,não... Só tenho medo da doutora me convencer a tomar os remédios e cortar o meu tesão. Enquanto ela fizer terapia só de "papo" e confidências, tá bom. Aliás, ando com um tesão louco e e vontade de fazer "putarias" contigo. Imagino que não gostas muito de eu falar assim, mas é brincadeira, eu não considero nada feio, entre pessoas que se amam, na cama. E eu queria me ver sendo desnudada por ti, no teu quarto (que não consigo imaginar como é: só vejo a nós duas, num espaço enevoado), tu tirando meu vestido, como a uma guriazinha a quem se vai banhar. E eu, trêmula de emoção, quase como de frio, me deixo tocar onde queiras. Primeiro os seios, meus seios pequenos redondinhos muito brancos, de aréolas e bicos rosados, que te deixam louca de desejo por mim. Aí, depois de chupá-los delicadamente como se mamasses (imagino meus seios escorrendo leite), tu irás descendo e te ajoelharás a meus pés, para beijar e lamber meu umbiguinho perfeito, e a minha barriguinha branca cuja curva suave em direção ao monte de Vênus é um dos detalhes que mais gosto no meu corpo(não tenho a barriga chata das malhadas). Tuas mãos já estarão nas minhas nádegas apertando-as e abrindo-as. Já me apalpas atrás sentindo o anelzinho rosa, saliente, do meu ânus latejante, e a portinha melada da minha fenda que se abre um pouco com os movimentos da tua mão. Tu observas furtivamente esses detalhes ao espelho que tens atrás de mim, com teu rosto colado a minha anca, teus lábios meio abertos, ofegantes. Eu me deixo adorar e degustar pela minha morena ajoelhada aos meus pés. Mas logo quero examinar o estado em que se encontra a tua bucetinha, para atestar se o teu tesão te deixa tão molhada, tão melada como o meu. E por minha vez, te jogo na cama erguendo as tua pernas muito alto para expor-te a mim e ao nosso cúmplice voyeur, o espelho.Tu inclinarás a cabeça para o lado, envergonhada, com ligeiro pudor, não falso, na verdade. Não passas de uma guria, e tudo, de repente, é novo para ti. E seres devassada por uma mulher, como eu, te faz tremer de emoção, quase de medo, como se fosse a primeira vez, e o príncipe... uma princesa afoita (o que é melhor)! E eu te beijarei com meus lábios cheios e úmidos, dos pés à cabeça. Me deterei, é claro, na tua bucetinha que palpita, que lateja, um pouco avermelhada de tanto tesão, pedindo, pedindo meus beijos. Vou colar minha a boca à tua boquinha de baixo, num beijo tão longo e sugado, que te desmancharás gozando, e até ejacularás como eu, enchendo meus lábios de delicioso fluido perfumado. E desmaiarás nos meus braços depois de gritar, e gemer o meu nome. Sou tua Alma sim, estou dentro de ti, e gozarás para sempre, lembrando-te de mim, dos nossos momentos mágicos. Quererás viver nua em tua alma, como eu vivo, assim nua e num gozo perpétuo, visível em meu sexo que escorre como uma lenta fonte de prazer e de amor, glória das mulheres... para sempre.
E dormirás sonhando comigo, num círculo perpétuo... tua Alma


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Última carta (final) da Alma para Andrea


Minha amada Andrea

Espero que tu compreendas e me perdoes. Eu tentei, eu juro que tentei permanecer viva, o quanto pude. Mas uma dor, Andréa, uma dor que nem sequer realmente compreendo, foi tomando conta da minha vida, aos poucos, e agora me tomou inteira. Não tenho mais forças para lutar, para perseguir minha estabilidade, quanto mais minha alegria. Os remédios me produzem sequelas insuportáveis, e sem eles também não consigo... Não me sinto compreendida, nem pela doutora Jensen, nem por Rodo. “Está corrida, amiga, esta lebre...”. Eu sinto tanto ter te envolvido neste meu fracasso, nesta última tentativa de amar, e ser feliz, embora virtual, sem nunca termos nos tocado realmente. Eu te fiz sofrer, minha morena, e talvez mais ainda do que posso imaginar agora. É mais uma coisa de que sou culpada. Eu sinto que te seduzi, não sei quão profundamente, na verdade. Choraste algumas vezes por mim, e tuas lágrimas são preciosas, eu as levarei comigo em meu coração.
Perdoa-me, minha guria, eu sinto tanto... Chore por mim, mas não muito, pois eu estarei sempre dentro de ti.
Tua para sempre, dentro de tua própria... Alma


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EPÍLOGO

Carta de Lucia Welt para o Guilherme de Faria sobre a morte da Alma

Guilherme
A tragédia abateu-se sobre a nossa casa. Alma está morta. Minha pobre irmã matou-se por volta do meio dia de hoje. Esperaram-na para o almoço, e como ela não chegava de suas andanças todos começaram a ficar inquietos, pois ela andava esquisita, novamente, nos últimos dias. Rodo, a doutora Jensen, e Matilde, saíram para procurá-la e percorreram os lugares preferidos dela, o quiosque do jardim, o pomar, o bosque, e até a pradaria em torno da casa. Afinal foram até a cascata. Ali, encontraram o seu vestido branco, sobre a alta margem de pedra do poço, ou piscina da cascata. Ali, pode-se ver de cima a superfície cristalina da piscina natural formada pelas águas que caem na cabeceira do poço, único ponto mais tumultuado. Rodo num ponto mais alto avistou o corpo nu muito branco, de minha irmã, a poucos metros do fundo. E mergulhando retirou uma corda que a prendia a uma pesada pedra, pelo pescoço, para que não subisse. Ele a retirou das águas, gritando, gritando seu nome, em desespero. Ele a colocou na margem e tentou fazer uma respiração boca a boca, mas que era mais um beijo trágico, pois ele desmaiou de dor sobre ela. Ao voltar a si, estava como louco, e está assim até agora, num tal sofrimento, que teme-se pela sua vida. Galdério, quase catatônico, de maneira automática e instintiva, paternalmente como costumava fazer quando Alma era pequena ao tirá-la adormecida de sua charrete, pegou seu corpo como estava e veio com ela nua nos seus braços andando pela pradaria em direção ao casarão enquanto a noticia corria, até entrar no salão e depositá-la sobre a grande mesa de jantar. Tudo isso me foi contado por Matilde ao telefone, em meio a um choro convulsivo. Deixei as crianças aos cuidados de Alícia, sem contar a elas o que e estava acontecendo, peguei o carro e dirigi em disparada até a estância. Aqui encontrei minha irmã posta ainda nua sobre a grande mesa da sala. Seu corpo tão branco estava mais lívido ainda, o que fazia com que se parecesse com uma estátua do mais puro mármore de Carrara, tal a beleza que ainda conservava. Tinha somente uma marca circular, avermelhada, ao redor do seu longo pescoço de bailarina. As pessoas da estância, até os peões e suas mulheres já tinham invadido a sala e velavam com enorme reverência seu corpo nu deslumbrante. Nem mesmo a doutora Jensen, arrasada, pediu que a vestissem. Era como se todos sentíssemos que sua nudez era sagrada. Foi então que Matilde suspendeu tal desvario, irrompendo na sala com uma grande toalha de mesa de renda branca na mão, gritando: “Cubram a minha guria, seus ímpios! Afastem-se todos, cubram minha guria!”
Começaram então as velas acesas, as novenas e o pranto coletivo.
Agora o corpo de minha irmãzinha será levado até Santana do Livramento onde será cremado, como ela queria, para que suas cinzas sejam trazidas de volta e espalhadas ao vento, pelos locais da estância que ela mais amava: as flores do jardim, o pomar, o bosque, a campina ao redor do casarão e o vinhedo. Seu amado pampa será sua morada para sempre. Nossa estância, nossa terra nunca mais será a mesma. Não sei sequer se sobreviveremos à perda de nossa Alma amada, que era tão bela por dentro quanto por fora. Jamais haverá alguém como ela. Sentimo-nos perdidos, Guilherme, nosso amigo, que a descobriu e amou aí em São Paulo, e que tudo fez para que tivesse um livro seu publicado, e que tanto parece conhecer a alma e coração precioso de nossa irmã.
O que mais temo agora é a reação de meus filhos e sobrinhos quando souberem do acontecido. Ai! Não sei o que será deles, que a amam tanto!
Reze por nós, meu amigo, pois esta família precisa de orações, pois lágrimas já temos demais!
Lucia
20/01/2007 


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 Nota
 Alguns dias após a tragédia descobri  datado de 03/01/2007 este soneto em que  a alma descreve numa (ante)visão as circunstâncias de sua morte e de seu espantoso velório nu, o que corrobora a hipótese terrível de seu suicídio longamente premeditado...

Visão (de Alma Welt)

Ser a musa eternizada do meu pampa!
Cantar, celebrar e endoidecer
De tanto amar até saltar a tampa
Do coração e da mente, e então morrer!

Nua, estranhamente, sobre a mesa
Estendida me vejo, uma manhã:
Um desfile silencioso me corteja
De peões, peonas e algum fã.

Mas olho o meu corpo de alabastro,
Absurdo e belo ali, e não à toa
Eu noto algo nele que destoa:

Sobre a alvura do pescoço bailarino
Uma faixa vermelha como um rastro
Da corda que selou o meu destino...

03/01/2007


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Nota final
Recentemente descobri este soneto na arca da Alma, que se refere à Andrea, sua amante virtual, que acompanhou de longe mas ao mesmo tempo tão presente a saga da Alma na Clínica e sua fuga pelas estradas em caronas de caminhão; e que, de longe, ao teclado de um computador estava com ela, seguindo-a, rezando por ela, com grande e comovedor desvelo. Alma a chama no soneto de " virtual e louca fada":

A Egressa de Pandora (de Alma Welt)

As certezas, já as tive, não as tenho.
Se foram os belos dias de ilusão
Em que o mundo todo era expressão
Da beleza, que em mim, pura, mantenho.

Vê, por auto referente então viver,
Deram-me por louca deste pampa;
Em camisa me quiseram recolher
À caixa de Pandora, e tome tampa.

Fugi descalça, perdida pela estrada,
Seguida por aquela, de outro mundo,
Internauta, virtual e louca fada.

Seja do poço ou da miseranda caixa
Toda a minha saga desde o fundo,
Na trama de uma rede ora se encaixa...*

(sem data)

*- por "rede" Alma se refere à Internet, onde toda essa sua saga ficou gravada na sua caixa de e.mails, e que formam o espantoso romance epistolar virtual que ora lhes apresento .


(Lucia Welt)